Entrando em forma com o Pé Direito!

Terça-feira, Julho 25, 2006

Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 17º Episódio - Final.

Diga não às dietas milagrosas

29/05/2005

Você que esperava dos médicos uma fórmula milagrosa para emagrecer, vai se decepcionar. A medicina não tem milagres para oferecer. Para perder peso, o que você pode fazer por você mesmo é diminuir o número de calorias ingeridas e aumentar a atividade física. Você lembra? No primeiro programa da série, mostramos como os alimentos que ingerimos são transformados em gordura. O corpo consome energia, mesmo quando está parado, para fazer o coração bater, manter o pulmão e todos os outros órgãos em funcionamento. É a energia gasta em repouso.

"Eu jogava bola, não jogo mais. Andava de bicicleta, não ando mais", conta o taxista Rodrigo Dantas Azevedo. Quando o corpo entra em movimento, consome mais energia: é a energia gasta em atividades.

A única forma que o corpo tem para ganhar calorias é através da alimentação. Quando o número de calorias que ingerimos for menor do que a soma da energia gasta em repouso mais a energia gasta em atividade, a pessoa perde peso, fica mais leve, emagrece. Ao contrário, quando a soma da energia gasta em repouso com a energia gasta em atividade for menor do que o número de calorias ingeridas, o ser humano fica mais pesado, ganha gordura. O corpo humano é cheio de dobradiças. É uma máquina, que foi construída para o movimento. Durante toda a série, nossos personagens fizeram um grande esforço para emagrecer. Alguns tiveram mais sucesso do que outros. O exercício fez toda a diferença.

"Do começo do tratamento até hoje, eu perdi 22 quilos", conta Fernanda Sandre de Lima. "Eu tenho uma camisa que, antigamente, quando eu vestia, parecia que ia rasgar. Hoje, ela está folgada", comemora a dona de casa Elaine Cristina Borancelli.

"O exercício físico deve ser, em primeiro lugar, prazeroso. Não adianta dar um determinado exercício se a pessoa não se interessar por ele, não der continuidade", explica o endocrinologista Marcelo Bronstein.

"Eu inscrevi o Kaique em uma academia, ele fez musculação, mas depois desistiu. Ele começa a fazer um tipo de exercício, mas logo desiste. Ele tinha que ter vontade de fazer exercícios, mas ele não tem. Não adianta", conta, quase chorando, Sandra de Moraes, mãe de Kaique, que está bem acima do peso.

A origem da preguiça do ser humano também foi mostrada no início da série. Você viu que, há milhões de anos, nossos ancestrais não sabiam de onde viria a próxima refeição. Por isso, depois de comer, descansavam o mais que podiam para economizar energia. Nosso apetite para carnes gordas e doces também tem origem no homem pré-histórico. Os que não gostavam ou não tinham acesso a esses alimentos altamente calóricos, enfraqueciam e eram atacados por predadores. O ser humano atual é descendente dos amantes de carne, gordura e açúcar e, por isso, diante da carne gordurosa, desprezamos o prato de salada. "Eu não como saladas, legumes. Não faz o meu gênero. Não consigo comer", conta o taxista Rodrigo. Em dois anos, Rodrigo engordou 20 quilos.

A pele do frango e a gordura que fica embaixo dela são partes mais gordurosas da ave. Para tirar a gordura do frango, é necessário tirar a pele dele. "Eu uso cerca de uma lata e meia de óleo por semana. Às vezes eu gasto mais, quando faço muita fritura. Além do frango, com pele, eu costumo fritar uns salgadinhos, no fim de semana, como coxinhas e croquetes", conta uma dona de casa. Em imagens do Centro de São Paulo nos anos 20, raramente se via uma pessoa gorda. Quase todos eram magros. No passado, as famílias em geral tinham arroz e feijão no almoço e jantar. Esse costume se perdeu.

"Nos últimos 30 anos, o brasileiro deixou de comer a tradicional do arroz com feijão, que tem um excelente valor nutritivo, porque é uma mistura com proteínas de boa qualidade. Isso deve ser resgatado, nós devemos reafirmar e incentivar o consumo da mistura de arroz com feijão, como uma mistura de alto valor nutritivo e muito importante para a alimentação do brasileiro", defende a nutricionista Sonia Tucunduva Philippi.

Antigamente, as pessoas faziam as refeições em casa. No almoço, era arroz com feijão, bife e uma salada. No jantar era a mesma coisa. Hoje, existe uma variedade enorme de alimentos chamados dietéticos. Por ironia, o mundo que consome cada vez mais produtos "light" e "diet" é o mundo que enfrenta uma epidemia de obesidade. As dietas que prometem milagres só chegam a um resultado: você engorda tudo o que perdeu. As células de gordura são formadas na infância e, quando incham, se dividem, e aumentam os depósitos gordurosos. Adulto obesos pode ter até 1 bilhão dessas células. A má notícia para eles é que elas não morrem nunca e, de alguma forma, controlam a vontade de comer. Quanto mais células de gordura você tem, mais fome irá sentir.

Por isso é tão difícil emagrecer. A pessoa nunca perde as células de gordura que acumulou ao engordar. Elas permanecem no corpo, a espreita, e, na primeira oportunidade, quer dizer, na primeira vez que você atacar bolinhos de arroz, as células de gordura vão novamente inchar e se multiplicar. Quando você faz dieta e diminui o número de calorias nas refeições, as células de gordura esvaziam, murcham. O cérebro interpreta esse esvaziamento como uma ameaça à integridade do organismo. O que acontece? Com medo de perder a gordura - que garantiu a nossa sobrevivência como espécie -, o corpo passa a trabalhar mais devagar, a gastar menos energia.

"O organismo começa a queimar menos calorias. Uma perda de dez quilos representa 200 calorias a menos que você queima", explica o endocrinologista Alfredo Halpern.

É uma conspiração da natureza humana para manter o maior peso que já tivemos. Para emagrecer - e se manter magro - é preciso que o cérebro se adapte ao novo peso.

"Eu uso um número cabalístico que é uma relação entre os meses e os quilos perdidos. Se o indivíduo perdeu 20 quilos, ele vai ter que ter 20 meses de atenção bem rígida, bem forte, para não ganhar esse peso de novo", enfatiza o doutor Halpern.

E,se você relaxar, a matemática é implacável. Míseras cem calorias a mais, em excesso, todos os dias - o correspondente a uma barra de cereal - já se transformam em gordura. Como nove calorias correspondem a um grama de gordura, em um ano você terá consumido 36 mil calorias extras, e vai engordar quatro quilos.

"É difícil. Se fosse fácil, não precisaríamos falar disso. É uma mudança de comportamento. Nós temos que, realmente, mudar os nossos hábitos", ensina a doutora Sonia.

Comer menos e aumentar a atividade física. Não há gordo que discorde desta recomendação. "Ou você faz exercício e segura a boa, ou então você morre. Então, eu tenho que escolher o que eu quero. Eu quero viver?", enfatiza o gerente de vendas Valentim Hissnauer. Bastam 30 minutos por dia de caminhada rápida para cortar pela metade a chance de um ataque cardíaco. Valentim caminha 40 minutos, três vezes por semana. Mas existem muitas outras formas de gastar calorias. Uma boa alternativa é aproveitar os compromissos do dia-a-dia para aumentar a atividade física. Use a folga da hora do almoço para dar uma volta no quarteirão. Vá ao supermercado, ao banco, ao jornaleiro, a padaria a pé.

Usando um pedômetro, um aparelho que monitora a distância, conta os passos e marca as calorias gastas, é possível registrar o peso e a distância média do passo. Se você descer do ônibus um ponto antes do que costuma fazer, mais calorias vão ser gastas. A atividade física tem que ser feita sempre, diariamente. Mas você não precisa fazer tudo de uma vez. Pode parcelar, dividir a atividade no decorrer do dia.

Apesar de estarmos vivendo uma epidemia mundial de obesidade, os seres humanos, um dia, farão exercício regularmente e irão comer com moderação. Faremos isto porque somos primatas racionais e graças à razão nossa espécie sobrevive há milhões de anos na face da Terra.

Fonte: Fantástico

Sabrina às 17:37

Sexta-feira, Março 17, 2006

Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 16º Episódio.

A cirurgia bariátrica

22/05/2005

"Estou ansiosa pra caramba, estou nervosa, não que eu não queira, é a coisa que eu mais quero neste mundo é operar", comenta a secretária Érika Cardote Kuhl.

Três mil pessoas, a cada ano, encaram o desafio radical de emagrecer reduzindo o tamanho do estômago. A cirurgia bariátrica é um procedimento muito delicado.

"A gente não pode esquecer que um paciente que pesa 190 quilos, 200 quilos, ele é um paciente de risco cirúrgico", explica Alessandra Rascovski, do Ambulatório Clínico de Obesidade Grave.

As primeiras cirurgias bariátricas no mundo foram feitas em 1954. No Brasil, só a partir da década de 80. No dia 10 de agosto do ano passado, depois de quatro anos na fila, chegou a vez de Érika. Aos 40 anos, com 1,65 m de altura e quase 160 quilos, ela espera na maca a hora de entrar no centro cirúrgico.
As principais complicações cirúrgicas são fístolas, feridas operatórias que demoram pra cicatrizar, anemia crônica, deficiência de cálcio que provoca osteoporose e pedras nos rins, engasgamento, perda de cabelo, cálculo na vesícula e um fenômeno conhecido como dumping.

"É uma complicação bastante importante e, de certa maneira, até bem-vinda, já que ela acontece quando o paciente come alimentos muito doces ou muito gordurosos", descreve Alessandra.

"Os médicos falaram que a cirurgia foi um sucesso, que foi muito boa, que não teve problema nenhum", disse Érika após a cirurgia.

Existem várias técnicas de cirurgia bariátrica. As mais utilizadas provocam a perda de peso de duas maneiras: diminuem drasticamente o tamanho do estômago e evitam que os alimentos ingeridos sejam totalmente absorvidos pelo organismo.

"Hoje eu só tomei água e chá, com 20 ml da seringa, porque o meu estômago agora é pequeno, e vai tomando devagar, de quinze em quinze minutos".

Na cirurgia que a Érika fez, o estômago foi cortado bem lá em cima, de forma que seu volume ficou reduzido a 50 ml. O trânsito dos alimentos foi refeito costurando uma alça do intestino nesse pequeno estômago. O resto do estômago antigo ficou fora de circuito.

"Fiquei morrendo de vontade de comer, mas não faço isso porque sei que vai me prejudicar. A partir do quinto dia eu comecei a tomar água de coco. Parece que eu nasci de novo. Eu não agüentava mais aquele chá na minha frente. Tomava bem pouquinho, 20 ml. Eles deram uma seringa, daí eu enchia e tomava", conta Érika.

A Érika tem todas essas restrições para se alimentar porque, antes, o estômago dela, que se dilatava à vontade, agora, depois da cirurgia, foi reduzido ao volume de 50 mililitros, um copinho de café.
Durante todo o primeiro mês depois da cirurgia, Érika só pode tomar chá, sucos coados e sopas feitas apenas com a água onde foram cozidos os alimentos. Uma dieta bastante restrita, mas necessária: o corpo precisa se adaptar ao novo tamanho do estômago.

"A gente vai transformando a dieta de líquida para pastosa, pra branda, até a ingestão dos alimentos sólidos", explica Alessandra.

"Hoje eu vou comer sopinha de nenê, olha que delícia. Porque assim, na realidade, eu tenho vontade de comer coisa mais forte, mas quando o tempero está muito pesado o estômago dói".

Quando o estômago está vazio, libera uma substância chamada grelina, que informa ao cérebro que está na hora de comer. Com a diminuição do estômago, a produção de grelina fica menor e a fome também. Só que esse é um processo demorado.

"Há quinze dias atrás, quando me pesei, já tinha perdido 15 quilos. Acredito que agora, já são mais cinco dias, devo ter perdido mais. O resultado é muito rápido. Aquilo que o gordo sonha, passe de mágica, está acontecendo".

"Você emagreceu 23 quilos. Está dentro da média. O primeiro mês é realmente avassalador, o que dá até uma certa euforia em vocês. Agora vai começar a desacelerar a perda de peso. Só que você agora é muito mais responsável pelos resultados", comenta Alessandra.

"Em termos psicológicos, começa a entrar numa fase muito eufórica, de poder sair, viver tudo o que não viveu. Muitos pacientes, após cinco anos, chegam até a voltar a engordar porque acham que a cirurgia é como mágica, agora posso comer de tudo, vou comer e pronto", declara a psicóloga Marlene Monteiro da Silva.

"A minha mãe está pegando muito no meu pé, eu falei que ela era o Bin Laden lá de casa".

Quando passa a ingerir alimentos sólidos, é preciso muito cuidado. Tudo deve ser bem picado e mastigado. Qualquer exagero pode provocar vômito, engasgo, mal-estar.

O que acontece se você forçar, comer mais do que você deveria comer? "Eu fico entupida e tenho que vomitar. Às vezes acontece de seis, sete dias na semana, quatro e meio", responde Érika.

O que acontece com pessoas que, habituadas a comer cinco mil calorias, portanto refeições exageradas, de repente têm que comer um pouquinho, coisa mínima e já se sentem mal? "Eles vão se adaptando. É um aprendizado mesmo", esclarece Alessandra.

"Hoje me deu a maior vontade de comer picanha, então eu vou comer picanha, arroz, feijão e pão. Vou comer com bastante gordura e vamos ver o que vai acontecer".

"As complicações mais freqüentes da cirurgia, que aparecem nos primeiros meses, geralmente são cansaço, fraqueza, a síndrome de dumping", relata Alessandra.

O dumping aparece porque a cirurgia remove o estômago e os alimentos caem direto no intestino. Quando são muito doces ou muito gordurosos, provocam uma irritação intensa. A pessoa se sente muito mal: palpitações, suor frio, palidez, escurecimento da vista, sensação de desmaio e diarréia.

"É horrível. Começa a sentir como se o estômago estivesse entupido, começa a te dar um suor frio, uma coisa muito ruim. Agora fui no banheiro, pus tudo pra fora. É o preço que você paga pelo que fez, mas é tão pequeno perto dos benefícios que você tem que vale a pena".

Sessenta por cento das pessoas que fazem a redução do estômago desenvolvem intolerância à carne.

"Você pode usar soja, você pode usar derivados de leite e aí sim repor a quantidade de proteína necessária para formar musculatura, pra manter o cabelo, pra manter as unhas e até a disposição dessa pessoa", ensina Alessandra.

Este foi o peso da Érika em março: 115,3 quilos. Em abril, ela estava ainda mais magra: 109,9.
Agora, ela pesa cem quilos e está muito diferente da mulher cheia de problemas que encontramos há dez meses, quando fizemos a primeira gravação. Nestes dez meses, foram 57 quilos.

"Você fez uma cirurgia. Seu estômago, que tinha uma capacidade enorme, fica reduzido a um copinho, desses de plástico, de café. Você só pode comer um pouquinho, tem uma série de desequilíbrios no organismo. Depois tem que fazer cirurgias plásticas", comenta o doutor Drauzio Varella.

"Compensa o sacrifício, compensa sim. E compensa principalmente nesses casos em que o paciente tem risco de vida pela obesidade", avalia a médica.

"Estou realmente aproveitando a vida, os meus filhos, a minha família, os meus amigos. Está muito bom mesmo. E o namorado também, eu estou namorando", garante Érika.

Érika trocou a obesidade excessiva, uma doença grave, com risco de morte, por outra com a qual consegue conviver. Mas nesse processo sofreu muito. A cirurgia é uma solução extrema, um último recurso. Na semana que vem, o episódio final desta série. O que fazer para controlar o peso?

Fonte: Fantástico

Sabrina às 09:51

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 15º Episódio.

Cirurgia de redução do estômago

15/05/2005

Uma mulher bonita, alegre, que sempre gostou de dançar. Hoje, uma entre os dois milhões de obesos graves do país, Érika não acompanha mais o ritmo.

"É o fôlego mesmo. Fico cansada, vermelha, pareço um camarão", diz.

E passa o baile sentada numa cadeira. Aflita.

"Aqui no baile tem essas cadeiras plásticas Se ela resolver abrir a perna eu pulo. Tem que ficar em estado de atenção pra a qualquer momento pular. Senão você cai. Eu fico morrendo de medo", confessa.

A cada ano, seis mil pessoas engordam tanto que se tornam incapazes de fazer coisas banais, como sentar numa cadeira ou subir num ônibus.

"Subir no ônibus é complicado. E passar na roleta? Faz uns três anos que não consigo passar, tenho que ficar na frente", comenta.

"Eu escutei a minha vida inteira, minha juventude inteira. Tudo é por causa da obesidade. 'Você é sem vergonha, você não emagrece porque não quer'. E não é isso. É uma doença. Mas nunca ninguém procurou olhar por esse lado¿, reclama Érika.

Ela pesa 159,4 quilos e mede 1,65m. Lembra do IMC - o Índice de Massa Corporal - calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado? Obeso grave é aquele que tem o IMC igual ou maior do que 40.

"Seu IMC está 58,8. Já é considerado obesidade grau três", avalia uma nutricionista.

A obesidade grau três é uma doença grave, muitas vezes fatal. Nos jovens, entre 25 e 34 anos o risco de morrer de complicações causadas por tanto excesso de peso é 36 vezes maior. Gordinha desde criança, Érika engordou pra valer depois da primeira gravidez. Tinha 25 anos.

"Antes de engravidar eu estava com o peso ideal, 65 quilos. Tive a minha filha e engordei 30 quilos. Na segunda, do menino, foram 40", lembra.

Rafael nasceu em 1988. Durante todo esse tempo, Érika tentou, sem sucesso, perder peso.

"Fazia os regimes e acabava engordando mais, dobrando o peso", conta.

A dificuldade de emagrecer é parte da doença. Quem é obeso come muito porque substâncias liberadas pela gordura atuam no centro da fome e produzem mais fome. Se uma pessoa que precisa de 2,5 mil calorias diárias para viver ingere 3,4 mil, o excesso, 900 calorias, é armazenado sob a forma de gordura. Em um mês, são 27 mil calorias a mais. Em um ano, 328,5 mil calorias.

"Comprei mais 1 quilo de carne tipo alcatra, trouxe para casa, tenho uma churrasqueira elétrica. Fiz churrasco à noite e comi", conta Érika à câmera-diário instalada em sua casa.

Um grama de gordura corresponde a nove calorias. Então, essas 900 calorias diárias se transformam em 100 gramas de peso extra por dia, três quilos em um mês e 36 quilos a mais em um ano.

"Fui dormir tarde a noite. Levantei, tomei café, depois, quando chegou na hora do recreio na escola, eu morrendo de fome, comi uma coxinha, comi um pastel e ainda fiquei com fome", diz Érika.

Ela trabalha na secretaria de uma escola. É um trabalho sedentário. Ela passa o dia em frente ao computador.

"Quando tem que buscar alguma coisa com professor, fazer alguma coisa fora da sala, geralmente eu peço a minha companheira de trabalho para ir", conta.

Como muitos obesos, ela tem problemas para se locomover. Anda com ajuda de uma bengala.

"Começou a aparecer tanto problema físico, no organismo, decorrente da obesidade, que veio a depressão. Ficava aquela coisa só com sono", diz.

Mas, com tanta gordura, até dormir é difícil. Érika tem apnéia do sono.

"Apnéia do sono é uma doença crônica, progressiva, grave, que causa pausas respiratórias durante a noite e sonolência durante o dia e uma má qualidade de vida", explica o doutor Flávio Aloe, do Laboratório do Sono.

A apnéia do sono afeta mais os obesos porque quando a gente dorme, a musculatura fica relaxada e o peso da gordura na face e no pescoço comprime a garganta e dificulta a passagem do ar. O sono fica agitado, com roncos fortes, interrompidos por paradas respiratórias que duram mais de dez minutos. No dia seguinte a pessoa está imprestável, dormindo em pé.

"Não necessariamente a pessoa que tem apnéia do sono percebe que acorda, porque os despertares são muito curtos e o que chama a atenção são os roncos e as pausas respiratórias, que geralmente são observadas pelos cônjuges", esclarece o doutor Flávio.

Para diagnosticar a apnéia do sono, é preciso fazer este exame: a polissonografia. O paciente dorme no laboratório do sono e é monitorado num aparelho através dos fios que são colocados na cabeça e em outras partes do corpo. O aparelho registra o número de apnéias que ele teve durante a noite.

"Existem casos mostrando que, com o emagrecimento, a apnéia melhora em sua gravidade e às vezes desaparece por completo", afirma Aloe.

"Isso começou a influenciar o casamento. Não por ele, mas por mim mesma. Porque quando a gente ia ter alguma coisa e ele me tocava, eu falava: assim não, não pega aqui, não faz assim. Já não era como antes, então isso foi esfriando o relacionamento e ele acabou arrumando outra", diz Érika.

Em 2000, quando estava com 36 anos, Érika decidiu procurar ajuda.

"Eu só sei que um dia eu acordei e falei: não, chega! Fiz a inscrição pra fazer a operação", conta.

O grupo de obesidade grave do Hospital das Clínicas de São Paulo atende pessoas com indicação para cirurgia de redução do estômago, a cirurgia bariátrica. A cirurgia bariátrica é uma operação de alta complexidade, é o último recurso. Na faixa dos 18 aos 65 anos de idade, só pode ser indicada nas seguintes situações: primeiro, obesidade grave há mais de cinco anos. Segundo, ter sido tratado para emagrecer por mais de dois anos, sem sucesso. Terceiro, ter um índice de massa corpórea maior ou igual a 40, ou um índice de massa corpórea igual ou maior que 35, mas ser portador de doenças como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos.

"A cirurgia na verdade é um recurso extremo para aqueles pacientes que precisam perder muito peso, 50, 60 quilos. Quer dizer, para aqueles em que a obesidade coloca a vida em risco. Não é isso?¿, pergunta o doutor Dráuzio Varella à doutora Alessandra Rascovski, do Ambulatório Clínico de Obesidade Grave.

"É exatamente isso. E o que a gente tem visto em alguns casos é que pela facilidade de se obter o emagrecimento, porque essa pessoa também vai ter que se adequar a um estômago bastante pequeno, algumas restrições e a um segmento com médicos para o resto da vida. É que essa aparente facilidade faz com que outras pessoas queiram usar essa técnica", declara Alessandra.

No grupo do Hospital das Clinicas são atendidas 700 pessoas por ano, 60 são operadas. Hoje, existem mais de 1,9 mil inscritos, o que faria com que a espera durasse 33 anos. Isso não acontece porque muita gente desiste, faz a operação com médico particular ou morre, infelizmente. O tempo real de espera é de cinco a dez anos. Érika teve sorte: esperou quatro anos.

"Depois que eu emagrecer vou querer usar mais saia até o joelho. Porque hoje em dia é mais difícil por saia, porque a perna é muito junta uma da outro e o pouco que anda já fica assadinha, raspa", diz Érika.

"A uma semana da operação, estou meio aflita, hoje eu não dormi quase, de novo, acordei com muita dor no corpo. Estou super feliz, com bastante coragem, mas morrendo de medo", dizia Érika, uma semana antes da cirurgia.

"Onde você pode sentir? Pode ser que caia um pouco seu cabelo e a gente vai repor pra não cair tanto, a unha enfraquecer, a parte da pele, pode ter mudanças tipo ressecamento, por exemplo. Como é pra você o abdômen, você tem muita umidade embaixo da mama? Às vezes, nestas regiões quando você está emagrecendo a pele cai, tem que cuidar pra não ter micose. São as coisas que vão aparecendo durante o acompanhamento que a gente vai tratando. Mas vai ser um sucesso", esclarece a médica Flávia.

"Hoje foi um dia muito especial. Nós fizemos uma comemoração numa churrascaria para que eu me despedisse da carne", comentou Érika em seu diário.

"A carne que eu gosto é picanha, de preferência com a gordura. Estou me sentindo simplesmente entupida de tanta carne. Sei que a minha cabeça tem que estar indo junto com a cirurgia, porque se ela continuar sendo uma cabeça de gordo, vou ter problemas sérios", diz.

Semana que vem, vamos acompanhar o pós-operatório da Érika. A difícil adaptação à vida com um estômago minúsculo. E a surpresa diante do espelho.

Fonte: Fantástico

Sabrina às 11:16

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 14º Episódio.

Compulsão alimentar

08/05/2005

"Acordo com tanta fome que entro em pânico. Me dá pânico de chorar igual criança", conta a cabeleireira Maria Isabel Santos Soares.

As calorias do que Isabel come:

  • Duas fatias de pão de forma com patê de atum com azeitona verde - 526 kcal
  • Um pão de sal (francês) com requeijão (1 colher de sopa) - 230 kcal
  • Um pão de sal (francês) com salaminho (6 fatias) - 240 kcal
  • Uma xícara de iogurte (200 ml) - 174 kcal
  • Um pão de sal (francês) com mortadela (3 fatias) e requeijão (1 colher de sopa) - 520 kcal
  • Uma xícara de café com açúcar - 38 kcal
  • Três fatias de salaminho - 50 kcal
  • Duas colheradas de patê de atum com azeitona verde (1,5 colher de sopa de atum, 1 colher de sopa de maionese, 1 colher de sobremesa de azeitona) - 380 kcal
  • Uma xícara de iogurte - 174 kcal
  • Uma fatia de mortadela - 97 kcal


  • Soma Total - 2429 k cal

    Comer compulsivo é um transtorno caracterizado por episódios em que a pessoa ataca a comida. É capaz de comer uma quantidade absurda de alimentos num curto espaço de tempo.

    "Comi pão de sal, um, dois, começo a comer, não sei dizer quantos pães como na realidade. Porque mesmo comendo tudo isso, começo a conversar e quando vi como quatro, cinco pãezinhos e para mim é como se não tivesse comido nada. Eu ainda estou sentindo vontade de comer. Tomei café, se fosse para sentar e tomar outro café eu tomaria", afirma Isabel.

    Nas crises, o comedor compulsivo perde o controle e não consegue parar de comer. Depois, fica arrependido, com sensação de culpa.

    "Qualquer coisa me magoa, me fere. Tenho vontade de chorar muito", lamenta a cabeleireira.

    Existe uma diferença entre o comedor compulsivo e as pessoas que simplesmente comem muito: a sensação de perda de controle.

    "Se eu ficar nervosa, mais irritada, aí como mais. Eu já cheguei numa crise de raiva de mim mesmo, chegar a comer dez pãezinhos com mortadela com dois litros de refrigerante. Assim, brincando e chorando", conta.

    Ao contrário do que acontece na bulimia nervosa, aqui não existem os vômitos, laxantes e diuréticos. Há uma tendência a comer exageradamente sempre, mesmo sem fome. Na adolescência, Isabel era magrinha.

    "Eu pesava 55 quilos, eu nunca passei de 50, 65 no máximo. E hoje eu estou com 120", diz.

    Ela não sabe explicar como foi. De repente, a fome parecia não ter fim. Nos episódios de comer compulsivo, acontece um desequilíbrio nos mediadores que controlam a saciedade, aquela sensação de que já estamos com o estômago cheio.

    "Tem vezes que sinto que a minha barriga está pesada, angustiante. E mesmo assim sinto vontade de comer, não consigo segurar", admite.

    "Para fazer o diagnóstico de comer compulsivo precisa ter pelo menos dois dias da semana apresentando episódio de compulsão alimentar bem caracterizado, por pelo menos seis meses", explica psiquiatra Alexandre Azevedo (IPQ-HCFMUSP).

    Entre os obesos, 20% sofrem desse transtorno. Entre os portadores de obesidade grave o número chega a 50%. Isabel tem 33 anos. Tinha um salão de cabeleireiro e uma vida ativa. Por causa da obesidade, praticamente parou de trabalhar. Hoje, quase não sai de casa.

    "Me dá vontade de chorar. Me sinto bastante incomodada quando saio na rua, de estar num lugar e estar parada e só porque você é gorda está incomodando, a sua roupa não está dando certo para aquela ocasião. Isso dói. Muito", lamenta.

    "Existia um tipo psicológico que teria mais risco de desenvolver um comer compulsivo?", pergunta o doutor Drauzio.

    "São pessoas que têm tendência a desenvolver depressão e são bastante ansiosas no dia a dia", explica doutor Alexandre.

    De cada cinco comedores compulsivos, um sofre de depressão. Esse índice é treze vezes maior do que o dos outros obesos.

    "Ninguém sente o que a gente está sentindo. Há um tempo atrás ia dizer que estava me sentindo muito mal. Hoje eu estou melhor. Aceitar minha doença me fez melhorar", admite Isabel.

    E como se trata o comer compulsivo?

    "Os primeiros cuidados são nutricionais. Associados, em princípio com a orientação psicológica, a psicoterapia e por fim, se houver falhas desses dois, há indicação medicamentosa", aponta doutor Alexandre.

    Há um ano, Isabel começou o tratamento num grupo de comedores compulsivos.

    "O que me levou a procurar ajuda foi quando eu desisti de viver. Chegou uma hora que eu estava desistindo de viver, desistindo de tudo", lembra.

    As dicas para os portadores de comer compulsivo?

    "São dicas simples, do tipo respeitar sempre os horários alimentares principais. Sempre evitar a sensação de fome, porque sempre que está com fome vem acompanhado de um desejo maior e a chance de ter uma voracidade na ingestão alimentar é maior", diz doutor Alexandre.

    "Eu queria aprender a lidar com a sensação da fome, a fome continua mas está diferente. Aquela Isabel, um monstro, era um monstro. O descontrole. O monstro que devora qualquer coisa", fala Isabel.

    O fantasma do descontrole pode assombrar outro tipo de comedor compulsivo. Gente como o empresário Paulo Marzocca, que durante a noite...

    "Parece que tem despertador, se é à 1h da manhã, se é às duas, às 3h, de hora em hora, certinho", conta Paulo.

    Come. E em quantidades assustadoras. Ele sofre da chamada síndrome alimentar noturna. A síndrome alimentar noturna é um transtorno pouco conhecido. Seus portadores costumam comer normalmente durante o dia. Mas, no meio da noite, são despertados por alterações químicas que acontecem no cérebro e provocam um desejo incontrolável de assaltar a geladeira.

    "Eu não resisto. Chego a comer oito pãezinhos. E isso jamais acontece durante o dia. Coisas que eu não gosto durante o dia, bacon eu não como durante o dia. À noite chego a comer bacon cru", diz Paulo.

    Quem sofre da síndrome alimentar noturna, descrita pela primeira vez na década de 50, não consegue controlar o impulso de levantar da cama e atacar a geladeira. Entre as 19h e às 6h da manhã, o portador da síndrome devora mais da metade do que consome durante o dia.

    "Parece que sou um drogado que tem necessidade da cocaína. Dá um desespero", acredita Paulo.

    Quando a compulsão começou, Paulo estava com 20 anos. Hoje, tem 57. Durante todo esse tempo, engordou e emagreceu várias vezes. Em agosto do ano passado pesava 115 quilos. Decidiu perder peso.

    "No jantar a minha mulher manda a empregada fazer refeição a base de soja. Eu gosto de soja, salada", ensina.

    "Ele come comida balanceada, verdura, arroz, feijão", fala Renata Dias da Silva, empregada de Paulo.

    Começou a caminhar e perdeu peso.

    "Perdi 20 quilos".

    Mas os ataques noturnos à geladeira atrás de alimentos altamente calóricos atrapalham o esforço que ele faz durante o dia.

    "Já cheguei a comer oito pãezinhos. Uma pizza inteira, bacon. Salgado. Eu procuro salgado".

    A medicina conhece mal o gatilho que dispara este mecanismo. Mas pelo menos dois mediadores estão envolvidos. Um deles é a melatonina, responsável pelo início e pela manutenção do sono. O outro é a leptina, que é produzida pelo tecido gorduroso e vai agir no cérebro, nos centros da fome e da saciedade.

    "Estas alterações no equilíbrio das substâncias é que faz Paulo acordar com a fome insaciável, esta vontade de comer que você não consegue controlar", explica o doutor Drauzio.

    "Por se tratar de uma doença nova, ainda não tem tratamento estabelecido. A intervenção nutricional muitas vezes não funciona. Em princípio, o tratamento é medicamentoso. O objetivo desses medicamentos é que a gente possa controlar o apetite do paciente num período noturno, que a gente possa controlar um bom período de sono", aponta doutor Alexandre.

    Paulo começa a entender também que tem um transtorno para o qual existe tratamento. E aguarda uma vaga no mesmo grupo da Isabel.

    "Tem tratamento, Vamos tratar. Eu preciso tratar. Quero emagrecer, me sentir bem", afirma Isabel.

    Perder peso. Fazer as pazes com o corpo. Semana que vem você vai conhecer a Érika, que fez uma cirurgia complicada para reduzir o tamanho do estômago. Obesidade grave: nosso próximo tema.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 16:13

    Sexta-feira, Outubro 28, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 13º Episódio.

    O pesadelo da bulimina

    01/05/2005

    "Eu gostaria de falar que eu sei muito bem que a televisão engorda. E dizem que engorda pelo menos três quilos. Então, seja lá quem esteja assistindo ao vídeo que estou gravando, saiba que eu sou pelo menos três quilos mais magra", diz Manoela Penov.

    "Eu enfiava a mão, até a altura do punho na garganta. Minha mão era toda ferida", diz a atriz Leka Begliomini.

    Há três anos, Leka mostrou para o Brasil uma doença sempre escondida, mas tão antiga que foi descrita pela primeira vez no século V.

    "Cheguei a ficar 20 dias tomando só suco. E aí, de repente, você tem um nervosismo por algum motivo qualquer, e aí vem o ataque de compulsão. Você come enlouquecidamente, como por exemplo, um pote de sorvete", conta Leka.

    Bulimia nervosa é um transtorno que acomete mulheres de 20 a 40 anos, caracterizado por períodos de grande restrição alimentar, alternados com episódios de comer sem controle, compulsivamente, quantidades exageradas de alimentos que estiverem ao alcance da mão. Esses episódios costumam a ser seguidos de vômitos, uso de laxantes e diuréticos.

    "Vou tomar 80 gramas de diurético de uma vez. Deve ser bastante, mas eu não estou ligando muito. E laxante, vou tomar seis por enquanto. Se eu comer alguma coisa, vou tomar mais", diz Manoela.

    "Você come, come, come. Acaba de comer e fala: eu não devia ter feito isso. E é aí que entra o diurético, o laxante", conta um rapaz.

    "Eu já me acostumei. Então, para mim é natural, toda noite, me levantar e ir ao banheiro várias vezes", diz uma jovem.

    "Se falarem para você: vomita que você vai emagrecer, você vai e vomita", diz Leka.

    "Quando vomito, a garganta dói e parece que tem uma batata entalada", diz Manoela.

    "O perfil do paciente médio que apresenta bulimia é o seguinte: a pessoa se vê sempre mais obesa, mais gorda do que é, com medidas maiores, tem dificuldade de relacionamentos afetivos, social, se sentem muito inferiores às outras pessoas", informa o psicólogo clínico Rafael Cangelli Filho.

    "A impressão que eu tenho é que as pessoas olham para mim e me acusam. Que gorda, gorda, gorda!", reclama Manoela.

    Com 19 anos, Manoela pesava 94 quilos. Desesperada, sem conseguir comer menos, descobriu um truque que parecia infalível: vomitar tudo depois de comer.

    "Eu induzia. Pelo menos uma vez por dia. Depois foi aumentando. Era um alívio tão grande tirar toda aquela comida. E era muita comida, como é até hoje. Eu não consigo comer um pouquinho. Preciso comer muito e desesperadamente", diz Manoela.

    "Se a gente consome em torno de 2 mil e 2,5 mil calorias por dia, uma moça com bulimia numa crise pode chegar a 5, 10, até 15 mil calorias numa ingestão rápida", diz o psiquiatra Taki Cordás.

    "Eu comeria um elefante. Como não tem nenhum elefante aqui por perto, estou desesperada", diz Manoela.

    Comer exageradamente e em pouco tempo é um dos sintomas da bulimia nervosa. Conseguir manter o peso estável, apesar de tanta comida, é outra característica. Para isso vale tudo.

    "Colocar só o dedo não adianta. Então, uso o cabo da escova de dente", diz Manoela.

    Ao vomitar, o conteúdo gástrico, ácido, queima a garganta, destrói os dentes e provoca esofagia.

    "Depois de vomitar, dói tanto a garganta que não consigo nem comer depois. Mas eu vomito até não conseguir mais vomitar. Mas eu sempre acho que ainda tem alguma coisa. Então eu pego meus remedinhos e tomo", conta Manoela.

    Laxantes e diuréticos fazem parte do arsenal de quem sofre de bulimia. Os estragos que esses medicamentos causam são grandes.

    "A dor que eu sinto da cólica é grande, mas eu penso: bem feito! Quem mandou comer?", diz a jovem.

    Vômitos, laxantes e diuréticos levam à desidratação e à grande perda de potássio, que pode causar palpitações e parada cardíaca.

    "É muito difícil você aceitar que a sua filha, que era normal, de repente tem essa neura. Batimento cardíaco, muito baixo. O médico diz que a qualquer momento pode haver uma parada cardíaca, o rim parando de funcionar", preocupa-se a mãe de Raquel, Maria Cleusa Ranieri.

    "No primeiro dia que saiu sangue, eu liguei para o médico e falei: meu Deus, acho que estou estourando. Não parava de sangrar a garganta. Então, bate uma depressão", diz Raquel.

    A complicação mais freqüente da bulimia nervosa é a depressão, às vezes, grave, com risco de suicídio. Quando estava com 18 anos, Raquel sofria de anorexia nervosa, passou três meses internada num hospital. Pesava 42 quilos. Melhorou, engordou e teve alta. Seis meses depois apareceram os sintomas da bulimia nervosa.

    "Eu descobri que era bom comer, mas aí eu queria não comer mais. Fica um ciclo louco, porque não se consegue parar de vomitar", diz Raquel.

    Esse ciclo doentio já dura nove anos. Aproximadamente um terço da meninas que sofrem de anorexia nervosa na adolescência passa a apresentar sintomas de bulimia quando chega à idade adulta. Qual a diferença fundamental entre a anorexia nervosa e a bulimia nervosa?

    "O que diferencia num primeiro momento é o peso. Peso normal na bulimia e peso muito abaixo do normal na anorexia", diz o psiquiatra Taki Cordás.

    "Houve uma época em que a Raquel não sentava à mesa. A gente brigava muito, virava uma tortura. Depois, ela sentava, como tem feito, e ela empurra, engana, finge que põe o garfo. Eu fico só olhando", conta a mãe de Raquel.

    "Comi. Eu lembro que não posso comer. Então, paro e bebo bastante água para poder vomitar", diz Manoela.

    "As adolescentes bulímicas, em geral, escondem da família a sua condição. Que pistas em geral elas deixam para as quais a família deve estar atenta?", pergunta o doutor Drauzio Varella.

    "As idas constantes ao banheiro logo depois das refeições, os banhos demorados. Geralmente, as bulímicas levam um rádio para o banho para fazer um barulho maior do que o barulho do vômito", avisa o psicólogo Rafael Cangelli Filho.

    "Você já pensou em procurar ajuda?", pergunta o doutor Drauzio à Manoela.

    "Eu tenho meu analista. Durante as semanas em que eu tive minhas sessões, diminuiu. Não parei 100%, mas diminuiu. Mas agora que estou de férias, voltou tudo".

    Na bulimia, os medicamentos antidepressivos podem ajudar bastante.

    "O medicamento faz o papel que é o de diminuir a ansiedade e, com isso, diminuir o impulso alimentar", explica o psicólogo.

    O tratamento é delicado, exige o acompanhamento de uma equipe especializada: médicos, psicólogos e nutricionistas.

    "A orientação nutricional é fundamental no tratamento de uma paciente bulímica. Se a gente não consegue estabelecer esses critérios alimentares, não temos uma evolução", declara a nutricionista Renata David Kitade.

    Alguns alimentos devem ser evitados, porque favorecem a compulsão. Bolachas recheadas, bolo, refrigerante, sorvete e até mesmo algumas frutas.

    "É muito comum porque os pacientes dizem que é fácil de sair, de colocar para fora", revela a nutricionista.

    "Não adianta falar. Quando vejo que ela vomitou, nem falo mais nada", lamenta a mãe de Manoela.

    Não se conhecem métodos para prevenir o aparecimento de doenças como a bulimia nervosa. Raquel e Manoela, que acompanhamos durante meses, estão em tratamento e se recuperam lentamente.

    "Comecei a perceber que eu tenho uma doença. Até então eu achava que não era doença nenhuma, que era só uma forma de conseguir um bem-estar que eu não tinha antes", diz Manoela.

    "É uma doença que, sem ajuda médica, é impossível conseguir se curar", diz Raquel.

    Além da medicação e do acompanhamento psicológico, o tratamento exige força de vontade e disciplina. É preciso evitar os jejuns prolongados. O ideal é fazer várias pequenas refeições por dia.

    "Acho que estou melhor. Através do meu diário dá pra ver minha evolução", diz Manoela olhando para a câmera que a acompanha na luta contra bulimia.

    No próximo domingo, o Questão de Peso vai falar de outro transtorno: o comer compulsivo. O drama das pessoas que perdem o controle diante da comida. Quando começam, não conseguem parar.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 16:46

    Quinta-feira, Outubro 13, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 12º Episódio.

    O drama de quem vive a anorexia

    24/04/2005

    "Me olho no espelho hoje e estou achando que a minha barriga está muito grande. Preciso diminuir um pouco do que estou comendo, tomar menos líquido também, porque parece que dilata muito o meu estômago", diz Rafaela.

    Uma legião de meninas aprende, desde cedo, que ser magra é ser bonita. E, quanto mais magra, mais bonita. Com certeza você já viu Jeisa Chiminazzo. Ela está em várias revistas de moda, no mundo inteiro. Jeisa é uma modelo de sucesso. Começou a trabalhar aos 13 anos. E hoje, com 19, pode estar no Brasil, em Paris, Tóquio, Milão ou Nova York, onde mora.

    "São 58, 60 desfiles em um mês", conta Jeisa.

    "Vamos começar calculando o seu índice de massa corpórea. Qual é o teu peso e qual é a sua altura?", pergunta o doutor Drauzio Varella.

    "Peso 48 quilos e meço 1,77m", responde a modelo.

    O IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Uma pessoa com peso saudável tem um IMC entre 18,5 e 24,9. Abaixo de 18,5, a pessoa está subnutrida.

    "Está baixo: 15,32. Muito baixo", calcula Drauzio Varella.

    "No mundo da moda tem que ser bem magra pra fazer. Pra fazer desfile tem que ser magra", justifica Jeisa.

    Jeisa é muito magra. No cálculo do IMC cai na faixa de subnutrição. A imagem dela traduz um padrão de beleza que se tornou moda a partir dos anos 60 e hoje virou regra.

    "Com treze anos se é mais magra. Aí, chega aos 15, normalmente você dá uma engordadinha, por causa dos hormônios. Você vai ganhando corpo de mulher. E os clientes não entendem isso, eles querem você do jeito que você foi antes", fala Jeisa.

    Pouquíssimas pessoas no planeta são assim tão magras e podem comer de tudo sem engordar. Mas muitas meninas sonham com um corpo sem nenhum grama de gordura.

    "Tudo o que como parece que fica parado aqui na minha barriga e não gasto. Estou desesperada, dá vontade de descer na cozinha e tomar muito laxante, mas não tem mais porque minha mãe jogou tudo fora. Dá vontade de fazer com que saia tudo o que comi agora, me dá desespero", confessa Rafaela.

    Em 98, quando estava com 13 anos, Rafaela pesava 36 quilos, e ficou nove meses sem menstruar. O diagnóstico: anorexia nervosa, um distúrbio alimentar e psiquiátrico grave. As principais características da anorexia são a menstruação interrompida, perda acentuada de peso e ao mesmo tempo, um medo mórbido de engordar.

    "Vamos ter uma moça com IMC muito abaixo do normal e tem uma distorção da visão do corpo. Ela se sente extremamente gorda e diz pra gente: 'olha como estou enorme, estou obesa'", conta o Taki Cordas, psiquiatra do Ambulim.

    "Eu preferi nem olhar pra minha barriga e tenho pavor do meu estômago estar dilatando. Eu estou muito desesperada. Nem gosto de ver", diz Rafaela.

    A negação da magreza e a diminuição da auto-estima são características da doença. A preocupação com o peso toma conta do dia a dia.

    "Que porcentagem do tempo do seu dia você gasta pensando em comida, em alimento?", pergunta Drauzio.

    "Acho que 24. Porque eu até sonho, uma vez eu sonhei que estava comendo um cachorro quente. Eu tive que levantar, tive que ir no banheiro e não sabia o que fazer pra tirar aquilo de dentro de mim", lembra ela.

    Anorexia quer dizer perda do apetite e é o que acontece depois que a doença se instala. Mas, no início, as meninas ainda sentem fome. E lutar contra a fome se torna um prazer doentio.

    "Fiz umas fotos de 1998, quando tive a primeira vez anorexia, que cheguei a 36 quilos", mostra Rafaela.

    Quando fez estas fotos, a família de Rafaela tentava desesperadamente fazer com que ela enxergasse a própria magreza.

    "Meu filho trouxe uma revista mostrando as anoréxicas. Quando nós mostramos para Rafa ela achou tudo normal", lembra a mãe de Rafaela.

    "Eles compraram um filme, vamos ficar na posição das meninas. Tiraram fotos. Quando a gente revelou, que foi no dia seguinte, tamanho o desespero, eu me achei imensa de gorda", conta Rafaela.

    Anorexia nervosa é um transtorno alimentar quase exclusivo das mulheres. Elas constituem 95% dos casos e o número não pára de aumentar, principalmente na faixa dos 12 aos 18 anos. Infelizmente, na internet há vários sites em que meninas anoréxicas trocam receitas para emagrecer cada vez mais e exibem com orgulho seus corpos anoréxicos.

    "A internet prejudica muito porque ela bate muito papo com outras anoréxicas", reclama a mãe.

    "É ruim quando dá a notícia de que alguma menina com quem a gente teclava morreu ou está internada. Mas a gente não esquenta muito com isso. Me sinto muito forte, e sei até onde posso chegar para morrer", pensa Rafaela.

    "Esta é uma das complicações, porque a menina com anorexia diz em geral: 'Estou bem, esse é um desejo pessoal, eu quero emagrecer, vocês estão loucos'", explica Cordas.

    Existe alguma forma, algum tipo de atitude pra qual os pais devem estar atentos?

    "Acho que a primeira coisa é se, a olhos vistos, começa a emagrecer, fazer dieta, restringir alimentos", recomenda Cordas.

    "O pior pra mim é o açúcar. Eu não gosto nem de pegar no pote de açúcar", conta Rafaela.

    "Fazer excesso de controle com a alimentação, ir até a cozinha, ver como está sendo feito determinado prato, pedir pra diminuir óleo", alerta o psiquiatra.

    "Tudo o que eu como eu que preparo, ninguém coloca a mão. Porque eu não confio. Eu já confiei na minha avó, confiei na minha mãe. Elas querem colocar um pouco de azeite, daí não como", afirma Rafaela.

    Nos casos dos pais perceberem isso, devem fazer o que?

    "A primeira coisa a fazer é identificar a doença e melhorar o ambiente familiar", ensina Cordas.

    Muitas vezes, as portadoras de anorexia nervosa conseguem esconder o seu drama, durante anos.

    "Quando vimos que a Rafa estava com anorexia deu um sentimento de culpa muito grande. Porque trabalho em escola, cuido do filho dos outros e não percebi que minha filha estava precisando, pedindo socorro", lamenta a mãe.

    É importante reconhecer os primeiros sintomas. Quanto mais precocemente a doença for identificada, melhor o resultado. Em maio de 2004, Rafaela conseguiu finalmente começar um tratamento.Ela pesava 40 quilos.

    "Os médicos quiseram interná-la, e até cheguei a ligar pra mãe dela, porque ela ficou sem ânimo pra nada, ela não levantava pra nada, nem pra vir pra faculdade", conta Cássia Santos, nutricionista.

    "Tinha noites que eu tinha que subir a escada com a ajuda da minha mãe, porque as pernas não agüentavam", confirma Rafaela.

    "O corpo não agüenta o peso e ela acaba caindo. Mas é queda de altura, da doença. Porque ela toma dois litros de água antes de sair de casa pra sentir o corpo mais pesado", diz a mãe.

    "Eu coloco oito gotas de adoçante, venho aqui e deixo encher bem. Água gelada. E pego o leite e falo que coloco uma colher de sopa, mas na verdade eu apenas pingo. É o suficiente".

    A desnutrição crônica causada pela anorexia nervosa provoca uma série de complicações. Diminuição do tamanho das mamas e dos ovários, suspensão das menstruações.

    "Há dois anos eu não menstruo", confirma Rafaela.

    Penugem pelo corpo, pele seca e queda de cabelo. Frio excessivo.

    "Quando está frio eu tenho que sair de casa com pelo menos cinco calças, meia calça e tudo", diz ela.

    Enfraquecimento dos músculos e osteoporose, facilidade de fraturas.

    "Me machuco. Tanto é que tenho hematomas nas costas, nas pernas. Os ossos ficam marcados, ficam roxos", complementa Rafaela.

    Há dificuldade de raciocínio e perda de memória. É uma doença grave. De 15% a 20% dos casos acabam em morte. Quais são as armas que vocês têm para tratar da anorexia? Existem medicamentos que agem?

    "Algumas medicações melhoram um pouco o humor, um pouco a ansiedade, estimulam o ganho de peso. Mas o tratamento medicamentoso não é o principal. O principal é uma equipe multidisciplinar, terapia individual pra esta moça, um pouco de remédio, orientação nutricional", avalia Cordas.

    "Hoje eu estou bem feliz porque eu voltei a colocar azeite na comida, meia colherinha de chá, acho que uma de café. Talvez menos ainda, mas eu voltei a colocar. Que eu tinha parado. E hoje eu consegui comer uma castanha do pará inteirinha, porque geralmente eu comia metade", comemora Rafaela.

    É um processo lento, demorado. Mas aos poucos, Rafaela melhora.

    "Hoje eu fui na nutricionista, depois de quinze dias eu acabei recuperando um quilo e meio. Foi o máximo que eu já consegui com o tratamento. Eu fiquei surpresa. Sei que os pensamentos, quando eu estiver sozinha em casa, virão", confessa.

    A anorexia nervosa é uma doença crônica que exige tratamento prolongado. Os mecanismos que levam à ela persistem por muito tempo.

    "Eu acho que é muito difícil, tem que ter muita vontade pra tratar", avalia Rafaela.

    Oito meses depois de começar o tratamento, Rafaela comemora um novo peso.

    "No início do tratamento eu tinha 40,8 quilos. Agora eu estou com 50,1 quilos, praticamente dez quilos a mais".

    E uma nova atitude.

    "Quero trabalhar, fazer minha vida, virei a página".

    Rafaela é uma moça linda. Dos 13 aos 20 anos experimentou o inferno de perseguir uma imagem corpórea que é incompatível com a vida.

    "É evidente a tristeza que estava. Eu não queria viver. Com 14 anos eu parei de viver".

    Semana que vem a gente vai falar de bulimia, o distúrbio alimentar. Não perca!

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 11:53

    Terça-feira, Setembro 20, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 11º Episódio.

    Saiba como prevenir e tratar o diabetes

    17/04/2005

    "Eu não sentia nada, não tinha os sintomas da diabetes. Eu não sabia que eu era diabética", conta Cristiane Borancelli, auxiliar de enfermagem aposentada.

    No início, o diabetes é uma doença silenciosa, sem sintomas. Quando eles aparecem, os níveis de açúcar no sangue já estão muito acima do normal. Com Cristiane, foi assim que aconteceu: quando foi admitida em um novo emprego, descobriu que estava coma doença.

    "Fui fazer os exames médicos para começar no trabalho. Fiz os exames. A médica me disse: 'Olha, você tem diabetes.' ", recorda a auxiliar de enfermagem.

    Só para lembrar, o diagnóstico do diabetes é feito com um exame de sangue, colhido pela manhã, em jejum. Um resultado entre 70 e 99 indica que a glicemia está normal. De 100 a 125, acende a luz vermelha: já existe intolerância à glicose. E acima de 125 o diabetes está instalado.

    "Eu era enfermeira, trabalhava nas clínicas. Trabalhava no Instituto da Criança, sem parar. Eu cuidava da casa, da família, cuidava da minha mãe, cuidava de tudo", recorda Crisitane.

    Ela nunca mais pôde voltar ao trabalho. Hoje, aos 34 anos, precisa que cuidem dela. Tem vários problemas de saúde, como infecções. "Tenho infecção no útero e na bexiga", revela. Ela também tem problemas nos pés e nas pernas. "No começo a perna só inflamava", lembra ela. Cristiane também tem problema nos olhos. "Eu estou com a vista direita sem enxergar nada", diz.

    Infelizmente, no Brasil, a maioria dos diabéticos enfrenta as mesmas dificuldades da Cristiane. Apenas uma minoria consegue lidar com a doença de maneira correta: medicamentos adequados, exames de rotina, atividade física regular e cuidados com a alimentação que transformam o diabetes em uma enfermidade crônica, com a qual é perfeitamente possível conviver.

    "Normalmente eu faço a medição de glicose três vezes por dia: pela manhã, depois do café, depois do almoço e depois do jantar. Essas são as minhas medidas de parâmetro que eu uso para ver o que posso comer naquele dia e o que eu não posso", explica o gerente de vendas Valentim Hissnauer, de 50 anos, portador do diabetes.

    Valentim tem uma vida agitada, viaja durante 20 dias por mês. É complicado, mas ele consegue seguir a dieta determinada pelo médico.

    "O que é importante é a retirada de açúcares altamente calóricos e que rapidamente são absorvidos, ou seja, que têm um índice glicêmico alto como doces. As refeições devem ser, realmente, divididas em várias ao dia", orienta o doutor Marcello Bronstein, professor de endocrinologia da USP.

    "Se eu acordo de manhã e meu índice glicêmico está elevado, durante este dia eu evito, sobremaneira, carboidratos. Eu procuro fazer refeição leve, à base de folhas, um frango grelhado, e absolutamente nenhum doce. Nem os doces diets que existem eu não uso mais", conta Hissnauer.

    Dr. Dráuzio Varella - A partir do momento em que você se descobriu diabético, sua vida mudou muito?

    Valentim Hissnauer - Sim, mudou. Não que tenha ficado triste, mas minha vida mudou, sim. Eu tive que me regrar, coisa que nunca na vida tinha acontecido.

    Apenas uma regra Valentim não consegue cumprir: a rotina de exercícios físicos.

    Valentim Hissnauer - Porque eu não tenho disposição. Porque às vezes que eu fiz, que me despertou uma vontade de fazer, fiz por 30 dias seguidos, me deu satisfação de fazer.

    Dr. Dráuzio Varella - E quantos quilos você perdeu?

    Valentim Hissnauer - Eu perdi dez quilos.

    Dr. Dráuzio Varella - E aí, o que aconteceu com a glicemia?

    Valentim Hissnauer - Com a perda desses 10 quilos, de uma média de 270, que era o meu nível glicêmico, caiu para 150, 160.

    Os remédios para o diabetes reduzem a tolerância à glicose ou fazem com que o pâncreas produza mais insulina. O mesmo efeito ocorre quando emagrecemos. Sem exercícios, Hissnauer emagrece mais devagar e precisa da insulina e de outros medicamentos para controlar a doença. Depois de fazer o exame, Hissnauer entra em contato com o médico. "A gente discute até por e-mail. A tecnologia está aí para ser usada", conta. E, se necessário, ele toma insulina na dose que o médico prescreveu.

    "Eu tenho um forma nova de aplicação de insulina. É uma caneta. Eu tiro a tampa e coloco uma agulha. Gira um botãozinho, até a medida de insulina que o médico me mandou tomar", explica Hissnauer.

    Dr. Dráuzio Varella - Isso tem um preço, não tem?

    Valentim Hissnauer - Tem um preço assim, e é um preço alto. Acredito que eu deva gastar uns R$ 1 mil por mês com os medicamentos, e ainda com os controles e com a insulina. Eu tomo uma das mais modernas insulinas que existe. Isso é caro, isso é muito caro.

    Assim como Valentim Hissnauer, Cristiane também deveria fazer o controle do diabetes, mas não consegue. Ela ganha R$ 700 por mês. Para medir a glicose, pelo menos duas vezes por dia, precisa de fitas para o aparelho. E ainda tem que comprar insulina, um outro remédio para o diabetes e mais um para a pressão. Se fosse pagar por tudo isso, gastaria mais da metade do salário. "Eu estou sem médico, praticamente, e sem tratamento", diz Crisitane.

    Sem ter como pagar pelos medicamentos, Cristiane precisa recorrer aos postos de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), deve dar assistência integral à pessoa portadora de diabetes. Isto já é lei em vários estados brasileiros. Em São Paulo, onde ela mora, a lei está em vigor desde 2001. "Eu tenho dez receitas, e consigo um remédio das dez receitas", reclama a auxiliar de enfermagem.

    Sem tratamento, Cristiane apresenta muitas complicações do diabetes não controlado. As mais limitantes são provocadas pelas dificuldades circulatórias e pelas neuropatias que atingem, principalmente, as pernas e os pés.

    "Se eu colocar as pernas para baixo, os pés ficam com as veias pretas. Daqui a pouco, se eu sentar no sofá, e erguer as pernas um pouquinho, eles clareiam de novo. É má circulação: o sangue não chega lá", explica Cristiane.

    Dr. Dráuzio Varella - E sensação de formigamento, você tem, nas pernas?

    Cristiane Borancelli - Eu estou com a coxa, até o joelho, como se estivesse adormecida. Você está falando comigo, e eu não estou sentindo a perna. Não tem sensibilidade.

    Dr. Dráuzio Varella - Alguma vez te explicaram quais são os cuidados que o diabético tem que tomar com o pé?

    Cristiane Borancelli - Nunca.

    "Tem alguns cuidados diários e freqüentes que são obrigatórios para o paciente que tem o pé diabético. Primeiro é preciso fazer a prática do auto-exame. Todo paciente que tem pé diabético tem que, regularmente, estar examinando os seus pés, pelo menos uma vez por dia, depois do banho. Ele não pode se esquecer que, a chance de ter uma ferida, de ter uma úlcera, e de ele não perceber, é muito grande", explica a doutora Cândida Parisi, coordenadora ambulatorial.

    Os níveis altos de açúcar no sangue causam problemas circulatórios que afetam as terminações nervosas. Surgem as neuropatias. Com elas, o diabético perde parte da sensibilidade nos pés.

    "A gente tem casos de pacientes que ficaram 10, 15 dias com um prego dentro do pé sem sentir nada", conta a doutora Cândida.

    Por isso, uma das recomendações é usar meias claras, para que qualquer sangramento seja visível. Também é preciso usar um sapato bem confortável.

    "O único que consigo usar é um chinelinho. Outro sapato não entra", conta Cristiane.

    Dr. Dráuzio Varella - E além desses problemas com as pernas e os pés, você tem problema de visão com o diabetes?

    Cristiane Borancelli - Vira e mexe a vista paralisa. Eu tenho problema de luz. Quando bate claridade eu sinto a dor, não enxergo. Só que, um dia, a vista paralisou e eu não voltei mais a enxergar da vista direita.

    Dr. Dráuzio Varella - Quanto tempo faz isso?

    Cristiane Borancelli - Faz um mês. O médico endocrinologista pediu para fazer um exame de fundo de olho para ver se teve derrame na vista.

    "Cristiane, você tem uma retinopatia diabética nos dois olhos", diagnostica a oftalmolosita Amaryllis Avakian.

    A retina é a camada interna do olho, encarregada de receber as imagens que vemos. É um tecido cheio de vasos sanguíneos. A retinopatia diabética é conseqüência de alterações que acontecem nesses vasos, pelo excesso de açúcar no sangue.

    "A retinopatia causa cegueira em muitos pacientes. É a principal causa de cegueira em pessoas em idade economicamente ativa que nós temos no mundo todo. Cerca de 12% das pessoas cegas são por retinopatia diabética. Então, é uma doença muito grave", afirma Amaryllis.

    "Nós vamos fazer a aplicação de laser, uma fotocoagulação, para ver se conseguimos estancar esta hemorragia e impedir que a retinopatia como um todo progrida", diz a médica, durante o tratamento de Cristiane.

    "O controle da glicemia é fundamental. Se o paciente não controla a glicemia não adianta vir no hospital, não adianta vir todo dia fazer aplicação de laser, nada serve. Todo paciente diabético deve ter por objetivo o controle da glicemia para evitar não só a retinopatia, mas todas as outras alterações que o diabetes provoca no corpo inteiro", finaliza Amaryllis.

    "Eu me sinto como se tivesse chegado aos cem anos de idade", lamenta Cristiane.

    O Brasil tem 5 milhões de diabéticos. Desses, 4 milhões dependem do SUS.

    Na semana que vem, o tema da série Questão de Peso não é obesidade. O assunto é oposto a esse: anorexia nervosa, um transtorno alimentar das pessoas que emagrecem a níveis perigosos.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 13:25

    Terça-feira, Setembro 13, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 10º Episódio.

    A relação entre obesidade e diabetes

    10/04/2005

    De 80% a 90% dos adultos acometidos pela forma mais comum de diabetes estão acima do peso. O tecido gorduroso aumenta a resistência à entrada da glicose na célula. Diabetes é uma doença do metabolismo, causada pelo aumento da quantidade de açúcar no sangue. É uma enfermidade muito comum. Quase todo mundo tem um caso na família. O diabetes, hoje, é uma epidemia mundial. No Brasil, atinge 7% da população adulta. Mas muita gente pensa que a doença não tem muita importância.

    "Se a glicemia, isto é, o açúcar no sangue não estiver muito alto, ela realmente não vai ter manifestações clínicas muito importantes. O grande perigo é que, não percebendo isso, ela pode querer compensar bebendo líquidos que têm muito açúcar", explica o doutor Marcelo Bronstein, professor de endocrinologia do Hospital das Clínicas da USP.

    "O mais difícil é cortar o açúcar" confessa a dona-de-casa Elaine Cristina Borancelli.

    "Tenho diabetes desde os 19 anos. São onze anos. Foi na gravidez que descobri. Já estava obesa antes de ficar grávida", conta Elaine.

    Só agora, aos 30 anos, Elaine resolveu finalmente se cuidar. A primeira consulta foi há nove meses, no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

    "O seu tipo de obesidade é bem característico de quem fica diabético. A gente pode ver que você tem bastante gordura na região da barriga, você tem a perna fininha e praticamente a sua obesidade está toda na barriga. E esse tipo de gordura, que fica na barriga, é a gordura mais perigosa", diagnostica a médica. "Eu vou medir em cima da sua blusa só pra ter uma idéia de como está - 111 centímetros, né?".

    Quando falamos sobre hipertensão, explicamos que a medida cintura não deve passar de 102 centímetros nos homens e dos 88 centímetros nas mulheres. A mesma coisa vale para o risco de desenvolver diabetes. O tecido gorduroso que se acumula na cintura geralmente está associado à presença de gordura entre as vísceras abdominais.

    "A gordura tem um papel muito importante para o desenvolvimento do diabetes. A gordura, principalmente a abdominal, que se localiza entre as vísceras, funciona como uma barreira pra a ação da insulina", afirma Bronstein.

    De 80% a 90% dos adultos acometidos pela forma mais comum de diabetes estão acima do peso. O tecido gorduroso aumenta a resistência à entrada da glicose na célula. Toda vez que o diabético engorda fica mais difícil controlar a glicemia, a taxa de açúcar no sangue. Quando emagrece, a glicemia cai. A obesidade anda de mãos dadas com o diabetes. Como os automóveis, as células precisam de combustível para funcionar. O principal combustível do organismo é a glicose da alimentação. Mas a glicose não consegue vencer sozinha a barreira representada pela membrana das células. Precisa de ajuda pra entrar. Essa ajuda é dada pela insulina no pâncreas. Nas pessoas obesas, a insulina encontra mais dificuldade para transportar a glicose para dentro das células. Sobra glicose na circulação. O pâncreas reage fabricando mais insulina. Quanto mais glicose sobra, mais insulina é necessária. Com o tempo, o pâncreas pode chegar à exaustão.

    "Você sabe que a pele do frango e a gordura que fica embaixo dela são as partes mais gordurosas do frango. Se quiser tirar a gordura tem que tirar a pele do frango fora. A recomendação é que uma família de quatro pessoas consuma no máximo uma lata, uma lata e meia de óleo por mês. Você está consumindo por semana mais do que seria recomendável por mês", alerta o doutor Drauzio Varella.

    Esse tipo de diabetes associado à obesidade é chamado de diabetes tipo 2. Ele é resultado da resistência à ação da insulina e da produção insuficiente deste hormônio pelo pâncreas. O diagnóstico é feito num exame de sangue, colhido pela manhã, em jejum. O exame mede a taxa de glicose na circulação. A glicemia feita em jejum estará normal quando ficar entre 70 e 99. Se o resultado em jejum for de 100 a 125, existe intolerância à glicose, isto é, entre 100 e 125 está aberta a porta para o diabetes. Se em jejum ela passar de 125, o diabetes estará instalado.

    "Minha mãe era obesa, meu pai nem tanto, mas tinha assim como eu, o corpo fino, as pernas finas, e aquela barriga. Mas minha mãe já não, ela já era bem obesa mesmo. Minha mãe e meu pai eram diabéticos. Meus avós, tanto maternos quanto paternos, também", conta Elaine.

    Cristiane, a irmã de Elaine, tem só 34 anos. Descobriu que era diabética aos 19, quando pesava 140 quilos. Durante todo esse tempo, 15 anos já, Cristiane não se cuidou adequadamente. Não fez dieta... "Comia doce, pão, lanche, refrigerante, comia qualquer coisa, massa, tudo o que vinha na frente eu comia. E o açúcar ficou o tempo todo descontrolado", confessa.

    Sem fazer exame, o diabético não percebe quando a glicose está elevada. Os sintomas só aparecem quando ela está muito alta. Glicemia fora de controle provoca doenças cardiovasculares, insuficiência renal, feridas que não cicatrizam, principalmente nas pernas e pés e perda da visão.

    "Meu pai e minha mãe faleceram assim. Meu pai enfartou e minha mãe foi de derrame, aos 51 e 52 anos", diz Elaine.

    Decidida a viver de forma mais saudável do que o resto da família, Elaine está seguindo direitinho as orientações que recebeu no Hospital das Clínicas. Está controlando a alimentação e começou a praticar exercícios.

    "A atividade física deve fazer parte do dia a dia do diabético, com mais ênfase até do que no obeso que não tem diabetes. Qualquer exercício, principalmente aeróbico. Que ele tenha atividade muscular regular e principalmente mantido. Não adianta ser um atleta de fim de semana. Ao contrário, isso pode ser perigoso", recomenda Bronstein.

    "Vamos ver como estavam seus exames quando você começou esta sua reeducação alimentar, todo esse tratamento. A sua glicose estava 217. Agora, depois de nove meses que você tomou vergonha e fez as coisas direitinho, olha a glicose: 102", avalia o doutor Drauzio.

    "Estou mais alegre, mais contente. A minha família também, de me ver mais feliz. Eu era muito triste, tinha depressão de me olhar. Agora não, eu me olho, gosto de me olhar. Gosto de me olhar, é muito bom", comenta Elaine.

    A história da Elaine mostra que o diabetes é uma doença crônica. Não tem cura, mas pode ser controlada. E controlar o diabetes, manter a quantidade adequada de açúcar no sangue, evita muitas complicações. Domingo que vem, vamos ver como o diabetes não controlado pode se tornar uma doença muito grave.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 09:29

    Segunda-feira, Setembro 05, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 9º Episódio.

    Cuidados com a pressão arterial

    03/04/2005

    Quarenta e cinco milhões de brasileiros são hipertensos, têm a pressão arterial acima de 14 por nove. Destes, apenas sete milhões estão sendo tratados. Infelizmente um ano depois do diagnóstico, mais da metade deles já abandonou o tratamento.

    "Dificilmente eu vou no médico. Devido a desgaste que tem na saúde hoje. A gente vai no médico, ele manda tomar um remedinho e voltar pra casa", diz um rapaz.

    "Nós tivemos muito e, de repente, perdemos tudo. A gente passou a ser uma família, uma panela de pressão. Aqui todo mundo se levantava nervoso, ofensas e problemas e problemas e problemas", lembra Aílton.

    Nessa época, Ailton era uma pessoa muito ansiosa. Ele trabalha como vendedor e a instabilidade da profissão fazia com que ele ficasse cada vez mais tenso.

    "Eu entrava nos meus clientes saindo fumaça pra todo lado", diz.

    E como muita gente faz para se sentir melhor, ele comia.

    "Justamente. Eu era muito, muito, muito nervoso, ansioso demais da conta. Eu podia comer dez coxinhas. Eu precisava, compensava a ansiedade na comida. Eu tinha um sono terrível, eu não podia vir pra casa na hora do almoço porque eu queria dormir e não trabalhava", conta.

    Mas um dia Aílton se sentiu muito mal.

    "Eu fui internado com pressão altíssima. A minha pressão chegou a 22 por 12, mais ou menos. Ficou altíssima. Tive uma diverticulose, um sangramento no intestino, muito violenta, quase fui a cirurgia". "Eu vi o problema que eu tava tendo, que eu ia ter que enfrentar, veio um pouco de receio, medo. Então a gente começou a mudar".

    Aílton começou a tomar remédio e a pressão baixou. Mas quem é hipertenso tem que ficar atento: medir a pressão com freqüência.

    "Nas pessoas que têm hipertensão e que estão com a medicação controlada, a gente sempre recomenda que meça a pressão a cada mês, a cada dois meses, no máximo a cada três meses. Porque muitas vezes a pressão muda de nível, e como a pessoa não sente nada porque a hipertensão é assintomática, você precisa medir pra saber se ela mudou de nível", explica o Dr. Décio Mion.

    O aumento da pressão do sangue no interior das artérias causa problemas em todos os órgãos. As principais complicações surgem silenciosamente no cérebro, no coração e nos rins. No cérebro, podem acontecer dois tipos de acidentes vasculares, os derrames cerebrais. O derrame isquêmico, quando a artéria é obstruída, e o hemorrágico, quando a artéria rompe, provocando hemorragia. No coração, a hipertensão pode contribuir para a obstrução das coronárias, artérias que nutrem o músculo cardíaco, levando ao infarto do miocárdio. A hipertensão é a causa de 60% dos ataques cardíacos e 80% dos derrames cerebrais. Mas o que pouca gente sabe é que a pressão alta provoca sofrimento dos rins, levando a insuficiência renal. Grande parte dos doentes que precisam ser submetidos à diálise enquanto aguardam o transplante de rim chegaram a esse estágio por causa da pressão alta. Nos rins, o aumento da pressão conduz à dificuldade de filtração, à retenção de líquido e à insuficiência renal, que pode exigir diálise e transplante de rim.

    "Hoje, infelizmente, tenho um problema crônico renal e faço hemodiálise até chegar um transplante", diz Renato Itiuba.

    Renato tem 38 anos. Sempre foi gordo.

    "Depois dos 25 anos, eu perdi o controle da obesidade. Já cheguei a pesar 156 quilos".

    A primeira vez que ele procurou um médico para medir a pressão, ela estava muito alta. "Estava 22 por 19. Aí ele me passou um remédio por dia para controlar a pressão".

    "Você veio tomando esse remédio diariamente, veio se sentindo bem, não sentia nada?", pergunta o Dr. Dráuzio Varella.

    "Me sentindo bem, não sentia nada", responde.

    "E quando é que você teve problema mesmo, outra vez?"

    "Me dava um soluço. Eu perdia o fôlego, a mulher tinha que bater nas minhas costas para a minha respiração voltar. Aí, quando eu vi, a médica mediu minha pressão, falou que a minha uréia tinha estourado, meu pulmão já estava cheio de líquido, o coração também estava cheio de líquido, meus rins tinham parado e a pressão estava 24 por 12".

    A função dos rins é filtrar o sangue e eliminar através da urina resíduos tóxicos como a uréia e o ácido úrico. Foi o acúmulo destas substâncias que provocou soluços no Renato. Hoje, ele leva uma vida cheia de restrições. Como os rins não funcionam, a quantidade de água precisa ser limitada.

    "Tomo 800 ml de água ou menos até. Sinto sede e não posso tomar água".

    O sal ajuda a reter no organismo os líquidos que ingerimos. No caso do Renato, é muito perigoso: ele só pode comer dois gramas por dia. Um pacotinho contém um grama de sal. Eu coloquei nesse prato o conteúdo de nove pacotinhos. Então, aqui tem nove gramas de sal. Pra cada nove gramas de sal que você ingere, o organismo retém tudo isso. Um litro de água. É um litro de água a mais no volume circulante, isso obriga o coração a fazer mais força para trabalhar. Se você come alimentos muito salgados, uma pipoca cheia de sal, picles, azeitona, você come fácil 20 gramas de sal. Vai reter mais de dois litros de água!

    "Mas hoje não se justifica mais tirar o sal de quem tem pressão alta. A gente só deve evitar o excesso de sal. E o que é o excesso de sal? Aquela pessoa que nem experimenta a comida. Pega o saleiro e enche a comida de sal", comenta o doutor Mion.

    "Eu adorava um sal. Às vezes a comida estava até boa e eu ia lá e punha mais sal. Agora não, a gente diminuiu o sal, então acho que estou até melhor agora", diz Sonia Santos.

    Diminuir o sal foi só uma das coisas que Sonia aprendeu a fazer quando começou a tratar da hipertensão. Além da dieta, o casal adotou um programa de exercícios que pode praticar em conjunto: a dança de salão.

    "A dança é o pedaço que eu mais gosto. Eu me acabo, eu queimo caloria pra caramba!", diz Sônia.

    Aílton, o vendedor que era estressado, gordo e hipertenso, em dois anos, emagreceu 25 quilos.

    "A diferença foi muito grande. Caiu peso, tudo na vida melhorou, pressão, até diabetes que eu tinha tão elevada, hoje ela é normal", conta Aílton.

    "Minha glicemia chegou a 250. Hoje, está em 115", diz Aílton.

    "Era 257 e você era diabético. E hoje é 115. Você toma remédio para o diabetes?", pergunta o doutor Dráuzio.

    "Tomo remédio. Comprimido, todo dia. Mas não alterou mais", diz Aílton.

    Aílton desenvolveu diabetes do tipo 2, distúrbio freqüente em quem está acima do peso. Uma doença que se manifesta, na maioria das vezes, depois dos 40 anos. Domingo que vem, vamos falar de diabetes, diabetes associado à obesidade. Até lá

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 10:53

    Segunda-feira, Agosto 22, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 8º Episódio.
    O sétimo episódio, que tratou sobre obesidade na adolescência não foi transcrito no site, quem estiver interessado pode ver o vídeo.

    Obesidade e hipertensão

    27/03/2005

    A cada ano, 300 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares no Brasil. A causa de metade dessas mortes é a hipertensão, a pressão alta. A hipertensão não respeita idade, cor, sexo, nem religião. Negro, branco, oriental, mulher, homem, velho, moço, rico ou pobre: qualquer um pode ter pressão alta. No Brasil, a doença atinge 45 milhões de pessoas. E metade delas nem desconfia.

    Creuza Maria Pereira da Silva, 61 anos, doméstica, 70,9 quilos."A pressão está 19,5 por 12. A pressão está bem acima do que a gente considera normal, que seria 14 por 9", avalia o médico.

    "Quando eu fico nervosa eu sinto que ela sobe um pouquinho", conta Creuza.

    Muita gente acha que quando a pressão sobe a gente tem dor de cabeça. Não é verdade! Geralmente a pessoa não sente nada. Pressão alta é um assassino silencioso. Sônia e Eremildes sempre gostam de comer bem.

    "Ele me conquistou por uma lasanha maravilhosa que ele fez pra mim. Com molho bolonhesa e no final pôs catupiri e ainda escreveu ¿eu te amo¿ com catupiri", diz a assistente financeira Sônia Kiseliovas Santos. Quando ainda eram namorados, os dois tinham uma vida mais ativa.

    "Quando a gente começou a ficar junto, a gente começou a começou a fazer comida boa um pro outro, né?"

    Resultado: "Eu tinha 20 quilos a menos, mais ou menos isso", lembra Sônia.

    Por que a obesidade faz subir a pressão? Quanto maior a quantidade de gordura, maior a resistência à passagem do sangue pelos vasos. O coração é uma bomba que impulsiona o sangue oxigenado através da aorta, a artéria que dá ramos para irrigar o organismo inteiro. Na pessoa hipertensa, o coração encontra mais resistência para fazer a corrente sanguínea progredir através do sistema. Por isso é obrigado a fazer mais força. Faz tanta força que empurra a aorta para cima e para trás. A distribuição da gordura no corpo pode determinar se existe probabilidade de complicações cardiovasculares. Quem tem culote, quadril largo, coxas grossas - a forma de pêra - corre menos risco. Quando a gordura está concentrada na barriga - corpo em forma de maçã - a chance de ter ataques cardíacos e derrames cerebrais é maior. Nos homens, a circunferência da cintura, medida na altura do umbigo, não deve ultrapassar os 102 centímetros. Nas mulheres, deve fica abaixo de 88 centímetros.

    Como a Sônia descobriu que era hipertensa? "Uma vez eu fui fazer um check-up normal e cheguei ao médico. Ele mediu minha pressão e eu tava com 24 por 13. Mas eu não sentia absolutamente nada", responde.

    "A hipertensão é doença traiçoeira ¿ 24 é um nível de pressão que você poderia ter tido um problema sério, um ataque cardíaco, um derrame cerebral", comenta o doutor Drauzio Varella.

    Quando se mede a pressão, o aparelho marca dois números. O maior mede a pressão sobre as artérias quando o coração se contrai para bombear sangue para o resto do corpo. O número menor corresponde à pressão do sangue sobre as artérias quando o coração está na fase de relaxamento.

    "Antes eu nem sabia. Sinceramente, eu nem sabia que eu tinha pressão alta".

    A pessoa sofre de pressão alta quando a máxima for igual ou maior do que 14 e a mínima igual ou maior do que nove. O ideal é que a mínima esteja em torno de oito e a máxima não passe de 12.

    "Para tirar a pressão, tem uma coisa importante. Existem dois aparelhos. O aparelho normal a gente usa para qualquer pessoa. Mas para as pessoas obesas tem que usar outro, que é mais longo. Porque senão dá diferença. Eu vou tirar a pressão com os dois aparelhos e nós vamos ver a diferença de um para o outro", ensina o doutor Drauzio Varella.

    Toda pessoa obesa tem que tirar a pressão com o aparelho mais longo. Porque ele dá a volta melhor no braço e comprime melhor.

    Quando descobriu que era hipertensa, num exame de rotina, Sônia levou um susto. Com razão. No Brasil, as doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte entre as mulheres.

    "Eu fiquei bastante preocupada, mas às vezes, o dia a dia da gente, nessa correria, a gente não toma a sintonia que devia tomar, então é agora que a gente está começando a fazer".

    "O ecocardiograma que você trouxe mostra que o coração já está sofrendo um pouquinho com a hipertrofia devido à pressão alta", diagnostica a médica.

    Para mostrar o estrago que a pressão alta faz no coração, o doutor Drauzio Varella compara dois corações. A diferença do coração normal para um coração de um hipertenso está na espessura da parede, do músculo do coração, que é muito maior no coração do hipertenso. Por que esse coração fica musculoso? Porque ele tem que vencer a resistência representada pelas artérias, que vão conduzir o sangue. Então ele é obrigado a fazer muito mais esforço. Com o passar do tempo, ele vai enfraquecendo. E isso vai provocando um aumento das suas dimensões.

    "Toda vez que uma pessoa ganha peso, a pressão sobe. E quando ela perde peso, a pressão cai. É uma relação nítida. E muitas vezes a perda de peso não precisa ser muito grande, muitas vezes 10%, às vezes 5% do peso, já determina uma redução da pressão arterial", explica o médico Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas da USP.

    "Difícil é parar com tudo isso. Acho que a gente hoje está comendo tudo isso porque ainda não foi na endocrinologista. A gente se gosta demais e quer viver muito ainda pra aproveitar a vida", comenta Sônia.

    Para controlar a pressão, é essencial perder peso. E para perder peso, você já sabe, tem que comer menos e se exercitar mais. Mesmo emagrecendo, alguns precisam tomar remédio diariamente, às vezes pela vida inteira. É chato, mas é fundamental para evitar as complicações da hipertensão. É sobre isso que vamos falar semana que vem. Até lá.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 15:25

    Quarta-feira, Agosto 17, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 6º Episódio.

    Como tratar a obesidade infatil

    13/03/2005

    Quando crianças, os adultos de hoje jogavam bola, soltavam pipa e brincavam fora de casa. Hoje, as ruas das grandes cidades são dominadas pelo trânsito intenso e não existe mais espaço para as brincadeiras infantis. As crianças e os adolescentes passam horas, todos os dias, diante das telas do computador, da TV e do videogame. Na hora da comida, os hábitos também não são nem um pouco saudáveis ¿ cheeseburguers e outras comidas gordurosas fazem muito mais sucesso que alimentos leves e saudáveis, como saladas. É muito difícil convencer as crianças a comer verduras. "Verdura não têm a palatabilidade - o mesmo que gosto, sabor - de um hambúrguer, então a criança não tem este tipo de preferência. Nesse caso, a mãe deve orientar a experimentar. Em alguns casos, a criança prova e vê que o alimento também é gostoso. Não é ruim como ela imaginava", ensina Sandra Villares, coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil da Faculdade de Medicina da USP.

    As crianças têm preferência por sabores doces e salgados e rejeitam sabores amargos e azedos. O sabor dos alimentos é identificado por células especializadas, muito sensíveis, distribuídas pela superfície da língua. As células responsáveis pela identificação do gosto amargo estão localizadas na parte de trás, bem no fundo da língua, assim como as responsáveis pelo azedo, que estão um pouco mais para o meio. Os gostos salgado e doce são sentidos na região que vai do meio para a frente da língua, sendo que os sabores adocicados predominam na ponta. É por isso as crianças adoram lamber doces. Essas áreas gustativas, no entanto, não estão completamente separadas e se misturam em certas áreas da língua. Já o sabor de gordura não é detectado por células especializadas. Ela age em todas as células gustativas, ressaltando o sabor dos outros alimentos. É esse o motivo porque passamos manteiga no pão, colocamos óleo na salada, fritamos o pastel e salivamos só de pensar em churrasco.

    "Outro dia eu sonhei que eu tava comendo um pernil assado inteiro. Que beleza! Aí catava aquele molhinho e jogava em cima... Que bom!", lembra Kaíque, de 11 anos.

    "Um grama da proteína do bife libera quatro calorias", explica Sandra Villares.

    E a gordura do bife e o açúcar?

    "O açúcar é como a proteína - cada grama libera quatro calorias. A gordura libera bem mais e tem o dobro de valor calórico da proteína. Um grama equivale a nove calorias", esclarece Sandra Vilares.

    Quando a gente come carboidratos, como aqueles contidos em doces, pães, farinha, arroz branco e batata, o pâncreas é obrigado a produzir insulina, para o organismo conseguir absorver as calorias que as moléculas de carboidrato carregam. Mas nem todos os carboidratos fornecem o mesmo número de calorias. Há os carboidratos simples, como os do pão, doces e batatas, que caem na circulação rapidamente e forçam o pâncreas a produzir muita insulina e por isso dizemos que eles têm índice glicêmico alto ¿ absorção rápida, mais insulina. Há também os carboidratos complexos, como os das frutas e dos cereais integrais, que são absorvidos mais devagar e exigem menos insulina - esses têm índice glicêmico baixo. Por exemplo: o índice glicêmico do pão é 100 e o da maçã, 40. Por isso o pão engorda mais do que a maçã.

    Em uma experiência clássica, dois grupos de camundongos foram alimentados durante 17 semanas com dietas diferentes, contendo o mesmo número de calorias. O primeiro grupo comeu apenas carboidratos simples, com índice glicêmico mais alto. O outro comeu carboidratos complexos, de índice glicêmico baixo. Ao fim da experiência, os cientistas observaram que os camundongos que comeram os carboidratos com alto índice glicêmico tinham muito mais gordura no corpo do que os ratinhos alimentados com carboidratos de baixo índice glicêmico. As fibras contidas nos vegetais, nas saladas, nas frutas, de um modo geral, quando ingeridas junto com os carboidratos, dão mais trabalho para o aparelho digestivo e por isso reduzem o índice glicêmico dos outros alimentos. "Toda vez que ingerimos mais fibras, de legumes, verduras e frutas, dificultamos a absorção do carboidrato que vem junto", confirma Sandra.

    "Eu estou comendo bastante salada. Tenho comido pouco arroz, pouco feijão, pouca carne vermelha, pouco pão. Agora eu como muito menos do que antes. No primeiro mês, eu perdi quatro quilos", observa Kaíque.

    Logo que começou a freqüentar o ambulatório de obesidade infantil, fazendo dieta e exercícios físicos, Kaíque emagreceu bastante. É que no início do programa, Sandra, a mãe dele, estava desempregada. Ficava em casa e tinha mais tempo para dar atenção ao que o filho comia. Quando ela voltou a trabalhar, Kaíque passou a ficar muito tempo sozinho, voltou a comer bobagens e parou com os exercícios.

    "Tem um exercício que eu até gosto, porque você fica sentado, é só mexer a perna. Mas a esteira, se você não acompanhar, ela te joga para trás", diz Kaíque.

    "Ele tinha que ter vontade de fazer exercício, mas não tem. Não adianta. Quem é gordo, vai brigar a vida inteira pra emagrecer", lamenta a mãe de Kaíque.

    São poucas as escolas que oferecem alimentos saudáveis na hora do recreio. Geralmente, os lanches servidos nas cantinas são hambúrgueres, pizzas, salgadinhos, doces e refrigerantes. Fica difícil para a criança resistir à tentação. Como os amigos e as outras crianças se comportam com um menino que é gordinho, que está acima do peso?

    "Eu já tive problemas com meus amigos. Eu acho que as outras crianças esnobam bastante", afirma Kaíque.

    Repetimos com alunos da pré-escola, em São Paulo, uma experiência realizada na Inglaterra, que demonstrou o grau de rejeição que sofrem meninos e meninas obesos. Exibimos fotografias de uma criança que perdeu os cabelos por causa de quimioterapia, uma outra em cadeira de rodas, um indiozinho e um gordinho. Observou-se que as crianças tendem a escolher a foto do gordinho para ser amigo por último. Não é fácil para uma criança lidar com o excesso de peso. Quase sempre ela sofre na escola, é deixada de lado nas brincadeiras, recebe apelidos e acaba ficando muito sozinha. Quando chega a adolescência, o problema se agrava.

    Na semana que vem, vamos mostrar como enfrentar a discriminação e o isolamento nesta fase, que é uma das mais difíceis da vida.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 12:04

    Segunda-feira, Agosto 01, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 5º Episódio.

    Obesidade infantil

    06/03/2005

    Um assunto que interessa a toda a família. Você sabe quando uma criança gordinha já dá sinais de que terá problemas de obesidade no futuro? É o que o doutor Drauzio Varella vai explicar.

    As mães sempre ficam ansiosas quando os filhos não comem. Os pais também. Mas as mães ficam mais ansiosas. Ver os netos gordinhos sempre foi a alegria das avós. Antigamente, uma criança rechonchuda era admirada como saudável. E com razão: num mundo sem antibióticos, sem saneamento, assolado por epidemias de fome, a criança mais gordinha tinha muito mais chances de resistir. A necessidade de manter os filhos superalimentados nos períodos de fartura foi tão essencial à sobrevivência da espécie humana que ainda hoje as mães enlouquecem quando os filhos não querem comer. Mas esse padrão está mudando.

    "Ás vezes os pais observam a criança e forçam a alimentação. Isso é um ato que não é correto. Porque a criança tem a sua saciedade. Ela sabe o quanto ela precisa comer', explica Sandra Villares, coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil da Faculdade de Medicina da USP.

    E se a mãe, o pai, a avó começam a forçar, a insistir para que a criança coma sem vontade, ela começa a perder essa sensação de saciedade, de saber que já está satisfeita. E, mais tarde, descobre que não consegue parar de comer. A obesidade se transformou numa epidemia que afeta 10% da população infantil. Uma em cada três crianças brasileiras entre sete e 12 anos está acima do peso. E um número cada vez maior de mães se desespera com a situação inversa: a do filho que come demais.

    A secretária Sandra Regina Moraes está frustrada e nervosa. Ela freqüenta com o filho Kaíque o ambulatório de obesidade infantil do Hospital das Clínicas em São Paulo. A primeira consulta foi dia 20 de maio do ano passado. Kaíque tem 11 anos, está muito acima do peso e não consegue emagrecer. Quando começou o tratamento estava com quase 76 quilos, chegou a 72 quilos e agora, sete meses depois, está de novo pesando quase 76 quilos.

    "Mas aí é o seguinte, vai ter festa. Lá na festa eles cortam o pedaço de bolo. Aí vem aquele pedaço de bolo grosso. Eu como metade... Aí eu guardo, chego em casa, depois de um tempo eu como", conta Kaíque.

    "Se ele não tivesse aprendido... Mas ele aprendeu. Ele aprendeu o que tem que comer, como comer, o horário de comer, o que faz bem, o que não faz. Ele aprendeu tudo isso no tratamento e acompanhamento. É só fazer", opina a mãe.

    "Durante o dia inteiro parece que tudo aquilo que eu comi já passou o efeito. Aí eu tenho que comer. Parece que o estômago pede mais comida", diz Kaíque.

    Kaíque não sabe mas esse é um problema que começou antes dele nascer. As células que armazenam gordura surgem no feto ao redor da 15ª semana de gestação. O peso da mãe durante a gravidez vai afetar o do filho. A má nutrição da gestante pode levar à obesidade da criança, como forma de compensação. Já se a mãe engorda muito, as chances de ter um filho obeso são maiores. A mãe do Kaíque não é magra e engordou durante a gravidez.

    "A gente sabe que a criança faz a célula adiposa, o tecido adiposo, a gordura, no primeiro ano de vida. Em grande quantidade. Mais ou menos 40% do peso da criança no fim do primeiro ano de vida corresponde à gordura", explica Sandra Villares.

    Na criança até um ano de idade, as células adiposas não se multiplicam. Apenas acumulam gordura em seu interior. A quantidade máxima de gordura que cada célula consegue armazenar, na criança ou no adulto, é de um grama. Os bebês são gordinhos e cheios de dobrinhas porque vão precisar dessa reserva de gordura quando começarem a andar. À medida que a criança cresce em altura, essas reservas vão sendo consumidas. Quando ela chega aos cinco ou seis anos, as reservas de gordura estão, geralmente, em seu nível mais baixo. As reservas de gordura devem permanecer baixas até os sete anos, quando voltam a crescer. Mas hoje, as crianças comem muito mais alimentos doces e gordurosos e isso faz com que as células de gordura se desenvolvam mais cedo. Com quatro ou cinco anos, as crianças já produzem um tecido gorduroso que só deveria ser formado aos sete.

    Os pais devem estar atentos pra essa obesidade que começa aos quatro, cinco anos de idade na criança?

    "Sim. Se o pai observa que o filho está começando a ganhar peso por volta dos quatro, cinco anos, chama a atenção e procura o pediatra. Porque não é normal uma criança engordar nesse período, nessa faixa etária", responde Sandra Villares.

    Na criança magra, dos dois aos dez anos, ocorre apenas um pequeno aumento do número de células adiposas. As células existentes incham ou esvaziam seu conteúdo gorduroso de acordo com os gastos de energia do organismo.

    "Eu comecei a comer muito. Minha mãe comprava chocolate. As caixas que ela comprava de chocolate iam inteiras. Num dia só. Num dia só eu comia uma caixa de bombom com ela e meu irmão", lembra Kaíque.

    Nas crianças obesas, as células adiposas também incham, acumulam gordura em seu interior. Mas ocorre a formação de novas células, que vão armazenar mais gordura.

    "Durante o dia eu como bastante bolacha, salgadinho quando a minha mãe compra. Eu nem espero ela chegar e já fico comendo. Eu como escondido", confessa o garoto.

    As crianças adoram salgadinhos, bolachas recheadas e refrigerantes - alimentos altamente calóricos que elas não podem comer à vontade. Os pais devem estar atentos: o consumo exagerado desses alimentos é uma das principais causas da obesidade infantil. A predisposição genética para a obesidade é um fenômeno biológico complexo, que envolve a interação de mais de 250 genes diferentes. Mas a biologia sozinha não consegue explicar a atual epidemia de obesidade: o ambiente exerce papel decisivo.

    "O Kaíque é muito preguiçoso pra fazer atividade. Ele nunca ligou pra fazer, pra jogar bola, correr, essas coisas. Nunca. O negócio dele é vídeo game, porque é sentado e ainda comendo alguma coisa", entrega a mãe.

    "Se deixar eu passo o dia inteiro lá, comendo e jogando", confirma Kaíque.

    Hoje, nas grandes cidades, as crianças não têm quase espaço para atividades físicas e consomem uma dieta monótona, rica em alimentos altamente calóricos. Seguir a dieta direitinho e fazer bastante exercício... Se pro adulto já é difícil, imagine pra criança. Fica complicado resistir às frituras, aos doces, às bolachas, aos refrigerantes, aos sanduíches gordurosos se eles continuam a ser oferecidos. Ajudar uma criança a perder peso é uma tarefa de toda a família. É isso que a gente vai mostrar na semana que vem.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 17:31

    Sexta-feira, Julho 29, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 4º Episódio.

    Fórmulas perigosas

    27/02/2005

    Quando alguém quer perder peso, recorre a um exército de comprimidos. Mas qual será a eficácia dessa arma na guerra contra a balança?

    "Eu sempre procurei milagres para ficar com um corpo perfeito sem ter que fazer exatamente nada. E é tomando remédio que a gente espera esse milagre", conta Sandra.

    Michele quer comprar um remédio que viu num site da Internet. Ele liga para a empresa.

    "Meu nome é Michele. É que uma amiga minha me deu seu site pra mim entrar referente a remédio. Eu quero perder dez quilos", diz ela para o atendente.

    "Ah, o melhor jeito pra emagrecer é remédio", mostra Patrícia.

    "Eu consegui eliminar 20 quilos e foi com a fórmula que eu consegui isso", comemora Marcela.

    Essa história é um conto de fadas ao contrário. Começa com felicidade, mas o final é sempre triste.

    "Às vezes me dá tanto medo que, uma vez, a minha avó me achou dentro da casinha do cachorro", relembra Sandra.

    As fórmulas para emagrecer, cada vez mais procuradas, receitadas e consumidas, contêm cinco, dez, às vezes 15 componentes. Os mais comuns são anorexígenos para controlar o apetite, tranqüilizantes, hormônios da tireóide, diuréticos, laxantes, antidepressivos.
    Michele recebe, pelo correio, uma caixa com os remédios que comprou pela internet. Não vem escrito nada nos remédios, a não ser "Uso interno - Contém sessenta cápsulas - Complexo emagrecedor forte". Toma-se sem saber o que é.

    "Eu estou confiando no site", diz Michele.

    Toda fórmula para emagrecer contém uma substância anorexígena. Geralmente dietilpropiona ou fenproporex. Os brasileiros consomem 70% de todo o fenproporex produzido no mundo. Isso acontece porque é uma droga barata. Mas atenção: é uma droga que pode provocar dependência química, depressão, irritabilidade e transtornos psiquiátricos mais sérios, mesmo em doses baixas.

    "Uma vez eu cheguei a parar um ônibus na serra, saindo da faculdade e entrar com um revólver de plástico na frente do ônibus. Cheguei a peitar o homem. Extremamente irritada", conta Sandra.

    Não é difícil imaginar por que Sandra agiu assim. Ela tem 30 anos e começou a tomar fórmulas para emagrecer aos 17.

    "Eu não fiquei um ano sem tomar a fórmula", confessa Sandra.

    "Às 10:00, eu tomo anfepramona de 700 miligramas. Junto com ele, que tem que tomar os dois, eu tomo hamamelis. Aí eu tomo, às 17:00, eu tomo fenproporex, 20 miligramas. Ele mudou os medicamentos justamente por isso. Para que eu não me sinta tão mal quanto eu estava me sentindo", explica Elza.

    Para tentar diminuir os efeitos tóxicos destes anorexígenos, as fórmulas também contêm tranqüilizantes e antidepressivos.

    "Tem uma norma do Conselho Federal de Medicina, já desde 1997 que proíbe esse tipo de associação. A norma não permite associar especificamente moderadores de apetite, calmantes, hormônios de tireóide, laxantes e diuréticos com a finalidade de perder peso", explica Márcio Mancini endocrinologista da Associação Brasileira de Estudos da Obesidade.

    Receitar tranqüilizantes misturados com anfetaminas não só é proibido por lei como aumenta muito o risco de doenças cardíacas e psiquiatras. Além disso, como são drogas que causam dependência, o efeito fica cada vez mais fraco e os usuários acabam aumentando a dose por conta própria.

    "Você fala assim: 'Ah, eu não tô mais emagrecendo, então vamos aumentar'", comenta Michele.

    "Eu cheguei a tomar seis por dia, quando a prescrição eram duas", confessa Sandra.

    A furosemida é um diurético. Você urina mais, desidrata, sobe na balança e tem a falsa impressão de que emagreceu. Mas junto com a água, você perde sais minerais importantes para o organismo.

    "Nesses remédios tinha anfepramona, diazepan, clonazepan, potássio e T3", conta Michele.

    O nome, na verdade, é uma abreviação: T3. Um dos maiores perigos dessas fórmulas ditas emagrecedoras é a generosidade com que o hormônio tireoideano é receitado. A desculpa é sempre a mesma: "sua tireóide anda preguiçosa". Os hormônios, muitas vezes, estão disfarçados com o nome de "queimadores de gordura". Desconfie. Hormônio tireoideano não deve, nunca, ser usado para emagrecer.

    "O médico dizia que era tudo natural. Quando eu tomei essa injeção de alcachofra, ele disse que o verão tava chegando, que eu tinha que acelerar o metabolismo, que não tinha contra-indicação nenhuma. E que era para ajudar a queimar. Ajudar a queimar. Nem se falava em tireóide", lembra Patrícia.

    A fórmula receitada para Patrícia, na verdade, era alcachofra com hormônio da tireóide. Quem comanda a produção de hormônios no organismo é a hipófise, essa glândula que você vê em amarelo, junto ao cérebro. A hipófise libera um hormônio chamado TSH para ordenar a tireóide que produza o hormônio tireoideano. O hormônio tireoideano age sobre diversos tecidos: melhora a eficiência das batidas do coração, favorece os movimentos intestinais, estimula a capacidade de contração dos músculos, ajuda a manter a integridade dos ossos, age no cérebro, aumentando o poder de concentração e a rapidez de raciocínio. Como as fórmulas contêm altas doses de hormônio tireoideano, elas provocam hipertireoidismo, uma doença que causa diversos problemas.

    "Boca seca, taquicardia. Uma irritabilidade fora do normal, de bater uma porta e eu já estar explodindo", alerta Patrícia.

    Taquicardia é quando o coração bate mais rápido. Aceleração dos movimentos intestinais. Enfraquecimento e atrofia dos músculos. Enfraquecimento dos ossos. Nas mulheres, os ovários são afetados e as menstruações podem ser suspensas.

    "Eu tive queda de cabelo, eu fiquei com o cabelo bem ralinho. E também uma fraqueza muscular, de dar vontade de deitar em qualquer lugar", relembra Sandra.

    "Mas quando eu reclamava pro próprio médico ele dizia que tudo tem um preço, a hora em que eu estivesse magra esses efeitos iriam passar. Que o remédio é natural, ele só estava me ajudando, acelerando o meu metabolismo, que é lento, por isso você é gorda", denuncia Patrícia.

    O mais terrível é que, na maioria das vezes, estas fórmulas são receitadas por médicos. Só uma minoria compra o remédio sem receita.

    "Quantos médicos que eu já passei que me deram fórmula? Precisamente quatro", contabiliza Elza.

    "Teve apenas uma médica que disse que eu não precisava de remédio, mas mesmo assim ela me deu", aponta Sandra.

    O Conselho Federal de Medicina e o próprio Ministério da Saúde proíbem o uso dessas fórmulas, mas os médicos ainda prescrevem. Mas existem remédios que podem ser receitados para o emagrecimento.

    "Aqueles que apresentam obesidade e não têm sucesso com o tratamento convencional, com dieta e com atividade física, podem tomar remédios. Remédios que ajudam a emagrecer e que estão disponíveis nas farmácias normais. Esses remédios atuam ou diminuindo a fome, ou aumentando a saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta mais satisfeita à medida que vai comendo, ou inibindo a absorção de nutrientes no intestino. São cápsulas com um medicamento apenas, as chamadas monodrogas. Cápsulas com um medicamento", explica Marcio Mancini.

    Sandra conta que parou de tomar os remédios de um dia para o outro.

    "Joguei tudo na privada. Mas eu senti vontade de tomar depois. Porque era como se eu estivesse jogando na privada a chance de ser mais magra. Então, me partiu o coração ter que fazer aquilo. Mas eu preciso, por mim mesma, emagrecer", acredita Patrícia.

    Emagrecer sem ajuda não é fácil. Se você não consegue, procure um médico, um bom médico. Existem remédios com eficácia comprovada. Desconfie de fórmulas que misturam medicamentos. Emagrecer é um processo lento e você vai ter que tomar cuidado com o que come para sempre.

    Na próxima semana, vamos mostrar que é na infância que se consolida nossos hábitos alimentares que vão nos acompanhar o resto da vida. Domingo que vem, Obesidade Infantil é o tema do Questão de Peso.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 11:57

    Quinta-feira, Julho 28, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 3º Episódio.

    A fome e a saciedade

    28/11/2004

    Você não agüenta mais viver infeliz com a própria imagem, mas adora comer e beber. Sobe na primeira balança que encontra, fica ainda mais infeliz e espera que aquela dieta milagrosa traga bem depressa o corpo dos seus sonhos. Saiba que você não está sozinha.

    "Eu quero atingir a minha meta de 64 quilos. Acho que faz 16 anos que não peso 64 quilos", conta Edeli Zan, gerente de restaurante.

    Engorda, emagrece, engorda mais um pouco, emagrece menos. Na semana passada a gente viu como o corpo conspira para nos fazer voltar ao peso mais alto que já atingimos.

    "Em última análise: perde e ganha peso, perde e ganha peso muda a sua composição corporal, diminui a sua musculatura e aumenta a sua gordura", explica o endocrinologista Alfredo Halpern.

    "Eu tenho aqui manequins 44 e 46. E um 42, né? Aí comprei uma calça 48. Não compro mais nada. Ou eu volto ou eu vou ficar com essa calça, gente, é essa calça jeans. Ou vou ficar com ela até o fim da vida", diz Edeli.

    "Existe uma evidência clínica de que perder peso e reganhar, perder peso e reganhar faz mais mal pra saúde do que você estar já no peso acima", avisa Halpern.

    "Isso não pode ser um desestímulo? Ah, eu vou perder peso pra ganhar outra vez, então é melhor ficar com o peso que eu tô e está acabado?", pergunta Drauzio.

    "Não, eu acho o contrário. Eu posso te dizer que uma das grandes aquisições no combate à obesidade é o indivíduo hoje em dia ter certeza de que ele tem uma doença. É o médico transmitir para o indivíduo que ele tem que ter controle para o resto da vida".

    A idéia de que a obesidade é uma doença é um conceito recente. Durante muito tempo ela foi encarada simplesmente como um problema de quem come demais.

    "A Edeli é uma pessoa muito ansiosa com tudo. É difícil pra ela identificar qual é o problema", comenta o irmão de Edeli, Paulo Zan.

    "O maior problema na tua vida hoje pesa 12 quilos?", pergunta Drauzio.

    "Hoje é", diz Edeli.

    "Às vezes você vê pessoas que são um pouco mais gordinhas só que não são tanto. E, no entanto, o problema da alimentação, do número de calorias, da quantidade de peso que você perdeu vira o assunto da vida, né?", comenta Drauzio.

    "Ele se relaciona com você o tempo todo como um obeso. Um obeso que o tempo todo vai sentar com você em um restaurante e não vai falar da vida, das situações afetivas, e não vai conseguir aprofundar outras coisas tão valorosas na pessoa dele. Ele vai falar o tempo todo das calorias, do que comeu ontem, do que não comeu ontem. Quer dizer, ele apaga o resto da vida dele e se mostra o tempo todo como um obeso", completa o psiquiatra Táki Cordás.

    "Passo o dia inteiro preocupada com comida. O dia inteiro eu penso no meu corpo, na minha comida, no que eu vou comer", confessa Edeli.

    Antigamente, a gordura era considerada simples depósito para estocar energia. Hoje a ciência sabe que o tecido gorduroso é um órgão ativo que libera hormônios, ele é a maior glândula que temos. A quantidade de alimento que você ingere é controlada, em parte, pela quantidade de gordura existente em seu corpo. Quer dizer, quanto mais células gordurosas você tem, mais fome irá sentir. O controle do apetite e da saciedade - a sensação de que já comemos o suficiente - acontece no cérebro e independe da nossa vontade. O impulso da fome é tão forte quanto o da sede. Na rotina diária, dois hormônios, a grelina e o PYY, controlam e administram o apetite e a saciedade. Eles atuam numa área do cérebro chamada "núcleo arqueado", através de dois circuitos de neurônios que exercem ações opostas. Um estimula o apetite. O outro, a saciedade.

    Quando está vazio, o estômago libera o hormônio grelina. A função da grelina é estimular o centro da fome. A grelina nos alerta: está na hora de comer. A medida em que enchemos o estômago, a produção de grelina cai e o apetite diminui. Depois de passar pelo estômago, a comida vai para o intestino. Ali é liberado um outro hormônio, o PYY, que vai estimular o centro da saciedade. Um aviso para pararmos de comer. O problema é que o centro da saciedade demora um pouco até ser ativado. Esse tempo varia de uma pessoa para outra. Mas para comer menos, é importante comer devagar, descansar os talheres, para dar tempo dos hormônios da saciedade chegarem até o cérebro.

    "Eu fico assim morrendo de inveja das pessoas que comem devagar. Se eu tenho alguém conversando comigo até que eu como devagar, entendeu? Mas se eu estou sozinha, como na maioria das vezes, acabo comendo rápido", diz Edeli

    O equilíbrio entre a grelina e o PYY indica quando devemos começar ou terminar uma refeição. Mas, dependendo do tipo de alimento, esses hormônios são liberados em quantidades diferentes. Por exemplo, carboidratos simples, como a batata, arroz brando, farinha de trigo e os doces, são absorvidos antes dos intestinos produzirem o hormônio PYY, que inibe a fome. Por isso, quando comemos dois pratos de macarronada com pão, domingo, em família, poucas horas depois assaltamos a geladeira em busca daquele pedaço de pudim. Já a gordura de outros alimentos, como a carne vermelha, por exemplo, demora mais para ser digerida e o PYY pode fazer efeito, dando a sensação de que estamos satisfeitos. Mas este é o mecanismo diário de controle do apetite.

    A longo prazo, o controle do peso depende de outros hormônios. Os mais importantes são a leptina e a insulina. A insulina é produzida por um tipo especial de célula localizada no pâncreas e inibe o apetite. Enquanto o cérebro mantém sua sensibilidade à insulina, comemos menos e perdemos peso. Quando engordamos, a sensibilidade à insulina cai e o apetite aumenta. O outro hormônio, a leptina, ativa o centro da saciedade - a área do cérebro que nos informa quando estamos satisfeitos. A leptina é produzida pelas células gordurosas para avisar ao cérebro a quantas anda o nosso estoque de gordura.

    Quando emagrecemos, as células gordurosas diminuem de tamanho. Isso faz cair a produção de leptina. E, por causa da diminuição na produção de leptina, sentimos muito mais fome. A descoberta da leptina, em 1994, foi comemorada como uma solução perfeita para o problema da obesidade. Ratos gordos emagreceram rapidamente ao receberem injeções de leptina. Mas nos humanos a resposta foi diferente. Os cientistas logo perceberam que a leptina não fazia o mesmo efeito. Quem era obeso continuava obeso, mesmo com grandes quantidades de leptina circulando pelo corpo. Se a leptina é produzida pelas células de gordura, quanto mais gordo, mais leptina. Como este hormônio inibe o apetite, os gordos, então, deveriam comer menos. Mas isso não acontece. É que neles existe uma espécie de "defeito molecular" que dificulta a ação da leptina. O que os cientistas tentam agora é descobrir como melhorar o funcionamento dos genes encarregados de reconhecer a leptina no cérebro. Seria ótimo se a medicina pudesse oferecer uma solução mágica para o tormento da Edeli e o de tantos iguais a ela. Infelizmente, isso não existe.

    "Adoraria soluções mágicas, adoraria", sonha Edeli.

    Esse é o nosso assunto na semana que vem. Até lá.

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 11:01

    Terça-feira, Julho 26, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 2º Episódio.

    Efeito Sanfona

    21/11/2004

    O mundo tem um bilhão de pessoas acima do peso. Milhões delas estão, neste momento, começando uma dieta. Milhares vão conseguir emagrecer. Mas só algumas vão permanecer magras por mais de um ano. Se você vive nesta aflição diante dos ponteiros da balança, atenção: esta é a história da Edeli, mas bem que poderia ser a sua.

    "Meu nome é Edeli, eu tenho 50 anos, tenho dois filhos. Eu queria ser aquelas magras que, quando estão com problemas, travam. Mas não, eu sou daquelas gordas que comem quando estão com problemas", brinca Edeli.

    Para saber ao certo o quanto uma pessoa está gorda e quando a gordura passa a ser realmente um problema, existe o índice de massa corporal (IMC). O IMC é calculado dividindo-se o peso da pessoa pela sua altura ao quadrado, isto é altura x altura.

    "Tenho 1,59m de altura, estou pesando atualmente 82 quilos", diz Edeli.

    Um resultado entre 18,5 e 24,9 é considerado normal. De 25 a 29 a pessoa tem sobrepeso, está acima do peso saudável. De 30 a 39 já pode ser considerada obesa. Acima de 40 tem obesidade grave, obesidade grau 3. O IMC da Edeli é 32,44. Ela está obesa.

    "Hoje eu acordei muito triste, pela luta que é esse negócio que é a obesidade na minha vida. Eu não tenho um dia de descanso. Se ontem eu comi, hoje eu pago por isso. É uma luta diária de todos os meus irmãos para manter peso. Temos facilidade para engordar", conta ela.

    Desde criança ela sofre com o excesso de peso. "Existia uma brincadeira entre as irmãs. Nós éramos três irmãs: eu, a Eliete e a Eloá. E a brincadeira era assim: cobra, jacaré e elefante. Adivinha quem era o elefante? Alguma dúvida?".

    É na infância que as células de gordura são formadas. A célula de gordura é uma esfera oleosa e brilhante, tão pequena que são necessárias milhões delas para abrigar as calorias de uma única bala. Se a criança come muito - e come mal - estas células incham. Elas chegam a ficar seis vezes maiores do que o tamanho original. Quando estão cheias, elas se dividem, duplicando os depósitos gordurosos. Um adulto obeso pode ter até cem bilhões de células de gordura. As células, cada vez em maior número e maiores também no tamanho, acompanham a pessoa pelo resto da vida. Por isso é tão difícil emagrecer. A pessoa nunca perde as células de gordura que acumulou ao engordar. Elas permanecem no corpo à espreita e, na primeira oportunidade - quer dizer - na primeira vez que você atacar aqueles bolinhos de arroz - vão novamente inchar e se multiplicar. Guarde bem esta informação. Nós vamos precisar dela daqui a pouco. Agora, vamos voltar à Edeli.

    "No meio da dieta, o que te dá mais vontade de comer?", pergunta Drauzio.

    "Um prato de macarrão com molho quatro queijos. Nossa Senhora, umas polpetas em cima. É a dieta dos meus sonhos. Com um filé a parmegiana", responde Edeli.

    Entre o desejo de ser magra e a realidade da balança, existe a comida. Edeli trabalha no restaurante do irmão e vive cercada de tentações.

    "A Edeli com comida é assim. Ela decide que vai fazer dieta, aí faz no almoço e fica beliscando a tarde inteira", conta o irmão dela.

    "Qual seu maior problema na vida? É esse?", pergunta Drauzio.

    "É. Hoje é. É a aceitação do meu corpo", responde Edeli.

    Na busca desenfreada por um corpo magro, Edeli investe em todos os tipos de dieta. "Eu fiz a do Dr. Atkins, eu fiz a de Beverly Hills, eu fiz a de South Beach. Acho que eu já fiz umas 15, 20 dietas. Eu vivo em dieta. Essa semana, eu comecei a fazer a dieta da sopa", conta ela.

    Primeiro dia
    "Ontem eu me pesei, comecei a dieta com 84,9 quilos. Então assim eu almocei só sopa de legumes, só legumes, não tem um caldinho gostosinho, nada".

    Segundo dia
    "Fui me pesar. São 11h da manhã. E assim, deu um quilo de diferença. Tô com 83,9 quilos. Dois dias de muito sacrifício".

    Quarto dia
    "Não me sinto confortável. E domingo é um dia super difícil, tá mais difícil ainda hoje. Tá muito frio e eu acho que eu tô querendo comida mesmo".

    Sexto dia
    "Comi muito pouco, muito pouco. E, no meio da tarde, eu estava com muita fome, furei a dieta e comi três damascos secos".

    Último dia
    "Tô com uns dois quilos a menos, ou três porque as calças estão largas".

    Essas dietas restritivas, com um número insignificante de calorias, funcionam no dia-a-dia ou não?

    "Elas funcionam. A curto prazo, qualquer dieta funciona. Por exemplo, você pode, eu até brinco, emagrecer com brigadeiro. Mas você só pode comer seis brigadeiros por dia. Isso faz emagrecer a curto prazo. Mas a longo prazo a experiência mostra que não funciona. Porque o sujeito vai acabar recuperando o peso quase que invariavelmente", explica o endocrinologista Alfredo Halpern.

    Quem faz regime - qualquer um - sempre emagrece. O problema começa aí. Como manter o peso? Sim, porque ninguém consegue, e nem agüenta, passar a vida tomando só sopa, ou comendo só atum e meia uva. Com muita fome, a pessoa acaba mesmo assaltando a geladeira.

    "Eu tava morrendo de fome, aí pedi um prato de espagueti ao sugo com manjericão. Aí, mais tarde eu cheguei em casa, tinha pizza. E aí ela olhou pra mim, eu olhei pra ela, ela olhou pra mim e a gente se entendeu e comi um pedaço de pizza, além de tudo também, né?"

    Tem uma constante nessas dietas todas. É que você faz durante um tempo e um dia pára e não consegue manter. "Isso aconteceu com todas elas", revela Edeli.

    E aí, a balança é implacável. Aquele ataque à pizza gelada de madrugada é punido com um aumento imediato de peso. "Ontem eu me pesei e estava com um quilo a mais", revela Edeli. Pronto: todo o sacrifício foi inútil.

    "É o músculo, é a gordura, é o metabolismo, é todo o sistema orgânico que vai querer fazer você engordar de novo", avisa Alfredo Halpern.

    Lembra da célula de gordura? Quando você faz dieta e diminui o número de calorias nas refeições, as células de gordura não morrem, só encolhem. Elas "murcham". O cérebro interpreta este "encolhimento" como uma ameaça à integridade do organismo. E o que acontece? O organismo começa a queimar menos energia. O metabolismo fica mais lento. É que o corpo, com medo de perder gordura - você lembra que foi a gordura que garantiu nossa permanência como espécie - passa a trabalhar mais devagar. A gastar menos energia para fazer nossos órgãos funcionarem.

    "O teu organismo começa a queimar menos calorias. Uma perda de dez quilos representa 200 calorias a menos que você queima. Para cada dez quilos que você perde o seu corpo começa a gastar menos 200 calorias por dia", exemplifica Halpern.

    É uma conspiração do corpo para fazer o peso voltar ao que era antes da dieta. Esse é que é o efeito sanfona. Porque o cérebro tende a manter o maior peso que você já adquiriu. É preciso que ele passe muitos anos numa determinada faixa de peso pra ele se adaptar a esse novo peso.

    "Eu uso um número cabalístico de tantos meses quantos os quilos perdidos. Se o indivíduo perdeu 20 quilos, ele vai ter que ter 20 meses de atenção bem rígida, bem forte, pra não ganhar esse peso de novo", comenta o endocrinologista.

    Será que dá pra sair dessa armadilha? É possível manter o peso e controlar a fome? É o que vamos ver na semana que vem.


    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 11:40

    Segunda-feira, Julho 25, 2005

    Questão de Peso com o Dr. Drauzio Varella - 1º Episódio.

    Gorduras a mais

    14/11/2004

    São 5h. Estamos na estação de trens da antiga Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Ainda está escuro quando a vendedora Cláudia Rosa de Moraes (foto) chega de Caxias, onde mora, e abre a barraca que vende balas e biscoitos. E a primeira coisa que ela faz...

    "Pego um chiclete. Abro a porta já pegando um chiclete, botando na boca e mastigando", conta Cláudia.

    Na estação, o movimento cresce. Milhares de pessoas chegam apressadas para o trabalho. Muitas fazem a primeira refeição do dia na estação mesmo, nos bares, nas padarias e nas barraquinhas de rua. A oferta é grande. Mas o tipo de comida é sempre o mesmo: gostosa, barata e gordurosa. Comendo assim, o brasileiro engorda. Hoje 10% dos adultos são obesos e outros 30% estão acima do peso. São quase 50 milhões de pessoas. E o Rio de Janeiro é estado campeão do excesso de peso. Ao contrário do que muitos pensam, o número de obesos é bem maior do que o de desnutridos e não pára de crescer. Especialmente entre os mais pobres.

    "Eu passo o dia inteiro comento", conta a comerciante Cláudia.

    "Amaral, um X-Tudo com dois ovos. Só não bota alface", pede Cláudia, para depois se lamentar: "Às vezes eu fico só triste, aí eu pergunto: 'Meu Deus, por que eu estou comendo tudo isso?' ".

    Basta olhar em volta para descobrir por que isso acontece: Cláudia vive rodeada de guloseimas. "É muito difícil resistir: barra de chocolate, bombom, batom, biscoito, refrigerante...", sabe ela. Mas não é só ela. Hoje, em qualquer cidade, a gente anda na rua e vê comida, cheia de calorias, por toda parte.

    Centro de São Paulo, anos 20: nas ruas daquela época, raramente se via uma pessoa obesa. Quase todos eram magros. Também era muito difícil a gente encontrar mulheres andando nas ruas do Centro.

    "Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, houve uma mudança no comportamento alimentar dos brasileiros. A mulher deixou preparar o alimento dentro de casa, passando a utilizar alimentos mais processados, mais industrializados, fazendo com que haja um desequilíbrio na alimentação dos membros da família", explica a doutora Sonia Tucunduva, do Departamento de Nutrição e Saúde Pública da USP.

    "Nos últimos 30 anos, o brasileiro deixou de comer a tradicional mistura do arroz com feijão. Uma mistura que tem um excelente valor nutritivo, porque é uma mistura de proteínas de boa qualidade", completa a doutora Sonia.

    "Quando eu era criança, as pessoas faziam as refeições em casa. No almoço, era arroz com feijão, bife e uma salada. No jantar, a mesma coisa. O primeiro sanduíche que eu comi na vida foi um cachorro-quente. Eu tinha 12 anos de idade", lembra Drauzio Varella.

    "O que eu gosto de comer no almoço é lasanha ou então rabada", diz Cláudia.

    Mas ninguém engorda só porque come muito ou porque come errado. O que nos faz engordar é também a quantidade de energia que a gente economiza ficando parado.

    "Eu jogava bola, não jogo mais. Andava de bicicleta... Agora com o táxi, a gente fica um pouco preso", declara o taxista Rodrigo Dantas Azevedo. Rodrigo espera mais um passageiro na fila de táxis do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ele trabalha sentado e, depois que comprou o táxi, há um ano e meio, engordou 20 quilos.

    "Foi mais pelo fato de ter ficado sedentário e pela facilidade de toda hora comer um doce", acredita Rodrigo.

    O corpo humano, como um automóvel, precisa de combustível - a comida - para funcionar. Se o corpo fica parado, a energia da comida não é usada. Vamos ver como a energia dos alimentos que ingerimos é consumida pelo organismo nas tarefas diárias. O corpo humano consome energia mesmo quando repousa. O coração bate, o cérebro, os pulmões e o aparelho digestivo funcionam. Essa é a energia gasta em repouso, que varia de uma pessoa para outra. Algumas consomem mais, outras, menos. Quando fazemos esforço, os músculos se contraem. Para isso, precisam de energia. Essa energia chega empacotada nas moléculas de ATP. Ao entrar em contato com as fibras musculares, as moléculas de ATP sofrem uma transformação química que libera energia. Essa será a energia gasta em atividade.

    A única forma que o corpo tem para ganhar calorias é através da alimentação. Quando o número de calorias que ingerimos é menor do que a soma da energia gasta em repouso, mais a energia gasta em atividade, ficamos mais leves, perdemos peso, emagrecemos. Ao contrário, quando a soma da energia gasta em repouso com a energia gasta em atividade for menor do que o número de calorias ingeridas, ficamos mais pesados, ganhamos peso, ganhamos gordura. Quanto menor o esforço, maior o peso extra.

    O táxi de Rodrigo tem direção hidráulica e vidro elétrico. O esforço que ele deixa de fazer quando fecha e abre o vidro representa, em um ano, um quilo e meio a mais de peso. Para almoçar na churrascaria do shopping, Rodrigo usa escada rolante: menos esforço e mais um quilo e meio em um ano.

    Emagrecer é mesmo muito difícil. A gula que nos devora e a preguiça que nos consome têm raízes muito mais profundas do que parecem. Há 20 mil anos nossos ancestrais moravam em cavernas. Eram raros os dias de comida farta, ao alcance da mão. Para matar a fome, o homem pré-histórico sonhava encontrar frutas doces e carne, alimentos supercalóricos, capazes de sustentar uma família por muito tempo. Depois de comer, todos ficavam sem fazer nada, imóveis, para economizar energia. Ninguém tinha idéia de quando viria a próxima refeição. Quem detestava carne, enjoava com açúcar e passava mal de estômago cheio, enfraquecia e era atacado por predadores. Já os amantes de carnes gordas e doces, dotados de organismos capazes de acumular calorias sob a forma de gordura, resistiram melhor e deixaram mais descendentes.

    "O fufu é uma comida nigeriana, com seis tipos de carne", explica Cláudia. "Na minha casa, aos domingos, eu só como o fufu."

    Por isso, quando sentimos fome, desaba em nossos ombros o peso de cinco milhões de anos da espécie humana, lutando pela vida na Terra. Diante da picanha gordurosa e do prato de salada, nossos genes babam pela carne e desprezam o resto.

    "Gosto muito de carne vermelha, batata frita, massas. Não como legumes, nem verduras", conta o taxista Rodrigo.

    Existirá salvação ou estaremos condenados à obesidade, à pressão alta, à diabetes, ao derrame cerebral ou a sofrer um ataque cardíaco no sofá da sala? É isso que esta série vai mostrar. Até a semana que vem!

    Fonte: Fantástico

    Sabrina às 10:34

    Quinta-feira, Julho 21, 2005

    SUA MELHOR AMIGA: VOCÊ. SUA PIOR INIMIGA: VOCÊ!
    Pense grande e acredite: você merece ser feliz. É só não deixar aquele seu lado desmancha-prazeres ameaçar as suas chances de realizar seus sonhos.

    De repente, os ventos começam a soprar a seu favor. O jornal anuncia a venda de um apartamento do jeitinho que você sempre sonhou, com uma entrada do tamanho das suas economias. Ou alguém lhe avisa que aquele curso concorridíssimo está com as inscrições abertas, e é claro que você não vai deixar passar a oportunidade de garantir sua vaga já no primeiro dia. Ou então, numa reunião na casa de amigos, você conhece um homem encantador, que pede seu telefone e promete ligar na semana que vem - olha aí a chance de um encontro superpromissor. Sem falar naquela indicação quentíssima para um emprego que pode alavancar sua carreira de forma meteórica. Mulher sortuda, hein?

    Só que, quando a idéia de assumir o novo compromisso financeiro começa a tomar forma na sua mente, uma vozinha insistente lhe diz que você deveria é dar uma força de grana para sua irmã, que está numa situação difícil. Aí, resolve ajudá-la, fica com a poupança desfalcada e... adeus, apartamento. O curso? Bom, talvez seja melhor esperar o próximo ano - no momento, você anda cheia de trabalho, e responsabilidade é responsabilidade. Aliás, pensando bem, você também não está com cabeça para mudar de emprego agora. Portanto, esquece o assunto "entrevista" e ponto. Bem, resta aquele sonho de homem... Pena que ele seja do tipo executivo, que vive viajando. Certamente, não vai poder lhe dar atenção. Antes nem se envolver do que sofrer depois. Fazer o quê? Mulher que não tem sorte...

    ... não está fadada a levar uma vidinha medíocre, sem jamais provar o gosto da felicidade. Se você sempre acreditou que era o contrário, livre-se dessa idéia. O que de fato diferencia as mulheres bem-sucedidas e realizadas é que elas são pouco vulneráveis à auto-sabotagem, uma reação inconsciente que costuma aflorar justamente quando boas oportunidades de sucesso aparecem ou sonhos que acalentamos por muito tempo e que pareciam impossíveis ameaçam virar realidade.

    VIVA O PRESENTE: Já estudada por Freud e hoje tema comum de livros de auto-ajuda e palestras de empreendedorismo, a auto-sabotagem é definida como um boicote que impomos a nós mesmas. Ela sufoca talentos, esconde habilidades, bloqueia iniciativas, acaba com relações amorosas promissoras (ou nem deixa que elas comecem) e alimenta o medo do desconhecido, levando a gente a desistir de conquistar o que deseja antes mesmo de tentar. E o que é pior: geralmente, nem nos damos conta dos estragos causados por essa terrível sabotadora que vive dentro de nós.

    Às vezes, a auto-sabotagem se manifesta como uma preguiça crônica, que faz a gente se acomodar à rotina e às situações conhecidas. Um caso típico é o da mulher solitária que vive se queixando da vida morna que leva. Toda sexta-feira ela decide que, desta vez, seu fim de semana será diferente: vai ligar para os amigos que andam sumidos, ver os filmes que todo mundo está comentando antes que saiam de cartaz, quem sabe até aceite o convite daquela nova colega de trabalho para ir a uma exposição de arte. E, como nos outros fins de semana, ela faz tudo simplesmente igual: fica trancada em casa, com a desculpa que está muito cansada.

    Em outros casos, a auto-sabotagem atua na forma de uma vozinha interior pessimista que, disfarçada de bom senso, alimenta a insegurança e a convicção de que nada vai dar certo. Basta surgir na cabeça uma idéia um pouco mais arrojada para essa desmancha-prazeres logo dar o contra: "Largar um emprego estável para se aventurar a abrir um negócio próprio? É dor de cabeça na certa!", ou "Trate de se contentar com o que você tem, porque fazer MBA no exterior não é para qualquer uma", e por aí vai. A psicanalista Cristina Vendramini esclarece: "Nosso lado sabotador pode se manifestar de maneiras diferentes. Mas ele sempre se instala quando a pessoa não tem um projeto de vida claro e definido. Se você não sabe direito o que quer, ou não estabelece metas a serem alcançadas, não conseguirá criar, perceber ou avaliar as oportunidades que surgirem".

    É FUNDAMENTAL OUVIR AQUELA VOZ DENTRO DE NÓS QUE RECONHECE O NOSSO DIREITO AO PRAZER E À REALIZAÇÃO


    Também aquelas mulheres que desejam apenas o inatingível são vítimas fáceis da auto-sabotagem - suas expectativas são tão idealizadas que elas acabam ficando no meio do caminho, conformadas com situações muito aquém das imaginadas. Sentimentos de culpa originados na infância, que nos fazem acreditar que não merecemos os presentes que a vida oferece, e idéias preconcebidas, como a de que é preciso escolher ou o sucesso na carreira ou a felicidade no amor, também são gatilhos da auto-sabotagem. Eles criam padrões de comportamentos negativos, que transformam desafios em obstáculos intransponíveis. O fundamental, em situações assim, é perceber que isso está acontecendo e começar a desmontar as armadilhas, em vez de alimentá-las.

    ROMPENDO PADRÕES: A baixa auto-estima, a falta de autoconfiança e a tendência a deixar que as coisas se resolvam ao sabor do acaso são aliadas da auto-sabotagem, minando nossa coragem de enfrentar o novo. "Aproveitar as oportunidades, sobretudo na vida profissional, requer capacidade para assumir riscos e disposição para estar em evidência. Essa exposição, às vezes, exige um esforço interior tão grande que muitas mulheres preferem se esquivar das chances de sucesso que lhes são oferecidas", constata Cristina Vendramini

    O antídoto está dentro da gente. O primeiro passo é reforçar o amor-próprio. Conhecer e valorizar nossas qualidades dá confiança para enfrentar os desafios. Aprender a aceitar elogios é outra forma de neutralizar a auto-sabotagem. Mas, se para você está difícil escutar sua voz interior amigável, que é sua maior aliada e reconhece seu direito ao prazer e à realização, talvez seja o caso de buscar ajuda profissional. Segundo Cristina Vendramini: "Certos padrões de comportamento estão tão arraigados no inconsciente que precisam de acompanhamento especializado para serem modificados".

    SEJA SUA PRÓPRIA ALIADA
    DICAS PARA ENTRAR EM SINTONIA COM SEU LADO POSITIVO.

    1. Não se contente com pouco e convença-se de que você, realmente, merece o melhor. A ambição bem dirigida é uma aliada das grandes conquistas, sobretudo nas áreas profissional e financeira.

    2. Deixe o perfeccionismo e o orgulho de lado. Aproveitar as chances implica disposição para aprender. E em qualquer aprendizado os erros são inevitáveis.

    3. Fazer uma lista de suas pequenas e grandes conquistas ajuda a identificar os talentos que você mobilizou para atingi-las. Eles são seus pontos fortes.

    4. Assuma o compromisso de fazer um balanço semanal, para refletir se suas escolhas estão aproximando-a das metas que você definiu, seja no trabalho, seja na vida afetiva.

    5. Cultive seus objetivos. Veja o que gostaria de eliminar da sua vida e o que lhe traria realização. Em seguida, ponha no papel os passos necessários para obter aquilo que almeja. Lembre-se sempre: sem planejamento, não se chega a lugar nenhum.

    6. Não deixe que a impulsividade comande sua vida. Agir precipitadamente abre espaço para que os elementos negativos do inconsciente ditem as regras de sua conduta.

    7. Quando estiver diante de uma situação nova, enumere as várias atitudes possíveis, pondere prós e contras e só então defina sua estratégia.

    8. Ao se surpreender remoendo um erro, faça uma lista mental dos seus acertos. Essa "contabilidade do bem" costuma ser maior, mas os aspectos negativos acabam sendo desproporcionalmente valorizados.

    9. Trate-se bem: dedique-se a atividades que lhe dão prazer, elogie-se por suas realizações, dê a si mesma um presentinho especial de vez em quando.

    10. Devagar nas fórmulas de auto-ajuda, para não se decepcionar. O mérito delas é conduzir à reflexão. No entanto, cada pessoa precisa encontrar sua própria maneira de lidar com as dificuldades e desafios.

    11. Fique atenta ao que dizem suas vozes interiores. Se notar que anda ouvindo um excesso de frases com a expressão "você deveria", provavelmente é sua voz inimiga tentando influenciá-la.

    12. Procure prestar atenção nos sentimentos ligados à auto-sabotagem. Caso perceba que está estagnada em uma determinada situação, pergunte a si mesma se o pessimismo e a insegurança estão predominando. Na dúvida, trocar idéias com alguém pode ajudar.


    Fonte: Revista Ouse

    Sabrina às 16:55

    Quinta-feira, Julho 07, 2005

    Eliminando Celulites
    Muitas pessoas pensam que celulite é completamente diferente de gordura comum e que é preciso alguma intervenção especial para eliminá-la. Afinal, esta é a mensagem que alguns fabricantes de produtos supostamente anticelulite querem passar. A verdade é que já foi provado em diversos estudos clínicos que celulite é um acúmulo de gordura comum que ficou com um efeito de cavidade por causa da presença de tecido conjuntivo embaixo da pele.

    A quantidade de gordura acumulada no corpo é determinada pelos seus hábitos alimentares e atividade física, mas a distribuição da gordura pelo corpo é determinada pelo fator hereditário. Sendo assim, uma pessoa com uma mesma alimentação, nível de atividade física, e percentual de gordura corporal que outra pode ainda assim ter mais celulite. Da mesma forma, uma pessoa pode ter mais facilidade para acumular gordura nas pernas enquanto outra pode acumular mais na barriga. O importante é ter em mente que a celulite é uma gordura qualquer que se localizou em uma área do corpo e para ser retirada deve-se perder gordura corporal como um todo.

    Muitas pílulas e cremes anunciam que podem acabar com a celulite. A verdade é que embora alguns cremes e massagens possam ajudar a melhorar a aparência da pele (hidratação comum por exemplo), eles NÃO removem celulite. Eles não fazem isso porque eles simplesmente NÃO queimam gordura. É muito importante que você entenda isso.

    Você não pode remover uma molécula de gordura de baixo da pele com gel, cremes ou loções aplicadas em cima da pele - a menos que eles contenham uma droga que penetre na derme para alcançar a gordura. Todas as drogas que penetram a camada da derme são medicamentos que só são vendidos em farmácias mediante prescrição médica. Dessa forma, nenhum desses produtos é encontrado em lojas comuns de cosméticos e produtos para o corpo.

    Além disso, mesmo que uma droga consiga atravessar a derme e chegar na gordura localizada, o que ele irá fazer, na melhor das hipóteses, é possibilitar que esse depósito de gordura seja mais facilmente mobilizado para que possa ser queimado através dos meios naturais de dieta e exercícios. Desconfie se um creme anuncia numa revista ou televisão que ele "queima" ou "dissolve" gordura localizada.

    Cuidado também com anúncios de envoltórios corporais. Estes são faixas ou trajes que envolvem o corpo, com ou sem loções, alegando conseguir remover centímetros da cintura, quadris, coxas e outras regiões do corpo em apenas uma hora. A promessa muitas vezes inclui também eliminar celulites. A verdade é que não existe um envoltório que queime gordura. Ele apenas provoca perda de água temporária no local como resultado da transpiração e compressão e toda essa água será reposta rapidamente pelo organismo. Além disso, a idéia que isso desintoxica o corpo também é absurda.

    Como as pessoas acabam percebendo que nenhum desses produtos milagrosos para eliminação de celulites funciona, elas acabam recorrendo a cirurgias. Mas é importante você ter em mente que até mesmo uma intervenção cirúrgica para acabar com a celulite não adiantará para a eliminação permanente dela porque ao fazer uma cirurgia você estará atacando a conseqüência e não a causa. Se você continuar com os mesmo hábitos alimentares e estilo de vida em pouco tempo ela voltará.

    Já que a celulite é um acúmulo de gordura comum, a melhor forma de eliminá-la é perdendo gordura. Com uma boa dieta e exercícios físicos você é capaz de queimar gordura do seu corpo e, conseqüentemente, eliminar a celulite. Ao perder gordura corporal e se exercitar regularmente você notará uma diminuição dramática da celulite. As pessoas ficam procurando por soluções milagrosas que prometem acabar com a celulite de uma hora para a outra e esquecem que uma boa dieta e exercícios físicos ajudarão infinitamente mais na eliminação da celulite.

    Tem ainda as pessoas que pensam que podem comer qualquer coisa porque se exercitam todos os dias. O que elas não sabem é que essa alimentação errada só prejudica seus esforços para eliminar celulite e ter um corpo saudável. Entenda que exercitar partes específicas do corpo, como por exemplo fazer exercícios localizados para os glúteos, não irá eliminar a celulite. Exercícios localizados não têm o poder de queimar gordura. Eles devem fazer parte de um programa que inclua orientação alimentar visando perder gordura corporal.

    Fonte desconhecida. Você sabe? Informe-nos.

    Sabrina às 13:11

    Segunda-feira, Julho 04, 2005

    Puff de Chocolate
    1 porção = 80 g
    Rendimento = 10 porções

    Valor nutricional e calórico por porção
    Calorias = 75 kcal
    Carboidratos = 10.7 g
    Proteínas = 3.2 g
    Lipídios = 2.2g

    Ingredientes
    - 1 pacote de pudim de chocolate light
    - 1 xícara (chá) de suco de laranja
    - 1 pote de iogurte natural desnatado
    - adoçante a gosto
    - 10 bolachas do tipo Maria esfareladas e misturadas com 1 colher (sopa) de raspas de laranja

    Modo de Preparo
    Prepare o pudim conforme as instruções do pacote. Deixe esfriar. Adicione o iogurte e o suco de laranja. Esfarele bem a bolacha e misture as raspas de laranja.
    Montagem: alterne as camadas: farelo, creme, farelo e creme. Coloque em taças e decore com raspas de laranja.

    Fonte: CyberDiet

    Sabrina às 19:42

    Sexta-feira, Julho 01, 2005

    Do mal humor a alegria de viver.
    A vida pode e deve ser sim melhor e mais prazerosa. Tente não permitir que constantes pensamentos e sentimentos negativos tomem conta de você.

    Busque e aspire à felicidade e ao prazer em cada ato presente, não mais acreditando cegamente que você conseguirá ser plenamente feliz (nas férias; quando se aposentar; ao ganhar muito dinheiro). A felicidade está ao nosso alcance sempre, basta sim desejarmos e nos dispormos a isso.

    Cuide de seu corpo, alimentando-se adequadamente; não exagerando no consumo de bebidas alcoólicas; dormindo bem; relaxando-se das tensões do dia a dia; tendo uma atividade física equilibrada e regular.

    Aceite as diferenças (pessoas; familiares; cultura; valores; situações... aprendendo com o novo.)

    Curta o desenvolvimento dos filhos (netos), compartilhe alegrias e mesmo dúvidas com os amigos, não se isolando para com o mundo.

    Pare de se incomodar e se irritar em demasia com pessoas mal-humoradas, com bobagens cotidianas. Procurando refletir e compreender possíveis ressentimentos, mágoas, sentimentos negativos. Não se culpe, busque melhor conhecer e entender a si próprio e a outrém.

    Trabalhe e ou exerça suas atividades com o maior prazer possível, mas lembre-se que as pausas e os intervalos, em cada tarefa, são necessários para o corpo e a mente se recuperarem.

    Acredite na sua real capacidade e possibilidade de aprender, de se expandir, evoluir e de vivenciar momentos de pleno contentamento.

    Não se isole... não se feche em si mesmo... ofereça sim seu potencial realizador a instituições e programas comunitários e sociais.

    Não se acomode, sonhe, sonhe muito, buscando a concretização,

    Necessitando falar /desabafar vá ao encontro de um ombro amigo e confiável e, em dados casos, confie no auxílio e na orientação que um profissional qualificado pode lhe oferecer

    Hélio Borges Júnior
    Fonte: WMulher


    Sabrina às 18:47

    Pé Direito

    Em agosto de 2003, foi criada pela Miss Thin uma dieta que começa na primeira segunda-feira do mês e tem duração de 3 dias: basta escolher sua dieta preferida e seguir algu- mas regras, como ingerir no máximo mil calorias diárias, praticar 40 minutos a mais de exercícios e cortar totalmente o açúcar e a gordura. O objetivo é começar o mês com o Pé Direito.
    No mês seguinte foi criado o grupo Pé Direito no Yahoo para que os adeptos relatassem seus resultados. Atualmente o grupo conta 490 membros e tornou-se um verdadeiro Grupo de Terapia sobre Emagrecimento, onde os membros trocam dicas sobre dieta, saúde e beleza; comemoram seus kilos elimi- nados ou conseguem apoio num momento difícil.
    Este blog foi criado com a finalidade de divulgar ainda mais o grupo Pé Direito. Vamos publicar artigos esclarecedo- res; links interessantes sobre emagrecimento e nutrição; re- ceitas lights e dicas. Todas as opiniões são respeitadas, porém incentivamos o ema- grecimento saudável sem radicalismos.

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